DENÚNCIAS DE ABUSO

Ex-membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias denunciam controle e abusos

Fachada de templo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Dissidentes da igreja mórmon denunciam controle mental e exploração.

Relatos de ex-fiéis apontam esquemas de exploração financeira e controle psicológico. Casos já tramitam na Justiça e em conselhos profissionais.

Ex-membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecida como igreja mórmon, decidiram expor publicamente alegações de controle mental e exploração financeira dentro da instituição. A iniciativa, que ganhou contornos judiciais, busca denunciar o que os dissidentes descrevem como um sistema de doutrinação que compromete a dignidade e a liberdade individual dos fiéis.

Fontes ouvidas descreveram a prática de rituais secretos, que incluiriam simulações de punições físicas. Além disso, as denúncias apontam para o endosso a posturas racistas, exclusão social e a realização de batismos de pessoas já falecidas sem o consentimento das famílias.

O pesquisador Carlos Alberto Dutra Fraga Filho, que integrou a congregação por uma década, é um dos que busca reparação na Justiça. Em junho deste ano, ele acionou o Judiciário contra profissionais que, segundo ele, teriam agido de forma coordenada pela igreja para interferir em sua vida pessoal durante um processo de separação. O pesquisador também protocolou representações na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e no Conselho Regional de Psicologia (CRP) contra um advogado e uma psicóloga, acusando-os de fraude processual e emissão de pareceres sem consulta prévia.

Outro relato central vem do advogado e contador Everton Alexandri. Ele descreve o uso de "love bombing" — uma tática de afeto excessivo — para atrair pessoas vulneráveis, seguido por uma rígida cobrança financeira, onde o dízimo de 10% do rendimento bruto é tratado como uma obrigação inegociável. Alexandri destaca que a pressão psicológica e o ostracismo são utilizados como mecanismos de punição para quem questiona a hierarquia ou decide se afastar.

A pesquisadora Vania Moore, radicada em Salt Lake City (EUA), aponta que a estrutura da organização reflete o chamado modelo BITE, conceito desenvolvido pelo especialista Steven Hassan. O método descreve como grupos extremistas exercem controle sobre o Behavior (Comportamento), Information (Informação), Thought (Pensamento) e Emotion (Emoção) dos indivíduos.

Procurada, a instituição não se manifestou sobre as denúncias.

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