RESILIÊNCIA E LUTA
Da violência à política: a trajetória de Juliana Garcia em defesa das mulheres
Um ano após sobreviver a 61 socos, a potiguar transforma o trauma em pauta legislativa para combater o feminicídio no Rio Grande do Norte.
Um ano após ser vítima de uma brutal agressão em um elevador na Zona Sul de Natal, Juliana Garcia dos Santos Soares transformou o trauma em um alicerce para a defesa dos direitos femininos. O caso, que completou um ano em 26/07, ganhou repercussão nacional ao evidenciar os riscos do feminicídio e impulsionou a decisão de Juliana de buscar representação na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte como candidata a deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
A violência ocorreu pelas mãos do então namorado, Igor Eduardo Pereira Cabral, que segue preso aguardando julgamento por tentativa de feminicídio. O ataque deixou marcas profundas: Juliana precisou de uma reconstrução facial que envolveu sete placas de titânio e 31 parafusos. Hoje, aos 36 anos, ela relata que sua entrada na política não foi imediata, mas uma resposta à demanda das mulheres que a procuraram por identificação e busca de medidas estruturais.
"Como pessoa física, percebi que não alcançaria a mudança necessária. A violência que sofri possui uma raiz estrutural. Quando me posicionei politicamente, os ataques ganharam novos contornos, o que serviu de combustível para converter essa dor em uma luta coletiva", afirma Juliana.
A trajetória de Juliana sempre esteve ligada à assistência social, com passagens pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte e pela Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social do RN (SETHAS). A ex-Conselheira Estadual dos Direitos das Mulheres acredita que a sobrecarga doméstica histórica sobre as mulheres impede a autonomia financeira, tornando-as mais vulneráveis a ciclos abusivos.
Atualmente, Juliana utiliza sua história como ferramenta de acolhimento para outras vítimas. Recebendo relatos diários, ela reforça a importância da rede de apoio e da coragem para romper relações abusivas. "A segunda chance que damos a um agressor pode custar nossa vida. Meu objetivo é construir uma sociedade onde mulheres tenham independência financeira e a autoestima necessária para não se submeterem a riscos", conclui.
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