ARTICULAÇÃO NACIONAL

PT abre mão de candidatura própria ao governo do RS pela primeira vez

Foto de Carlos Lupi, Juliana Brizola e Luiz Inácio Lula da Silva posando juntos.
Carlos Lupi, Juliana Brizola e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva articulam alianças no RS.

Partido integra chapa de Juliana Brizola (PDT) após intervenção da direção nacional em busca de palanque único para Luiz Inácio Lula da Silva.

O Partido dos Trabalhadores não terá um candidato ao governo do Rio Grande do Sul pela primeira vez desde sua fundação em 1980. A decisão, tomada em Brasília pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo dirigente Edinho Silva e pelas cúpulas do PDT e PSB, visa assegurar um palanque único para a campanha presidencial nos estados.

Como resultado do acordo, Edegar Pretto, que representou o PT em 2022, integrará a chapa de Juliana Brizola (PDT) como candidato a vice no pleito deste ano. A medida encerra um período de impasse, visto que o diretório estadual do PT-RS inicialmente resistiu à composição e buscou manter candidatura própria.

A intervenção do comando nacional reflete uma estratégia de alianças pragmáticas. O PDT declarou apoio a candidaturas petistas em 12 estados e no Distrito Federal, estabelecendo como prioridade a candidatura da neta de Leonel Brizola no Rio Grande do Sul em troca de reciprocidade.

Especialistas apontam que a decisão prioriza a viabilidade eleitoral e a necessidade de um palanque competitivo. Segundo Rodrigo Stumpf Gonzalez, cientista político da UFRGS, a aliança permite atrair um eleitorado de centro e centro-direita, especialmente no interior, mitigando o risco de isolamento político da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva no estado.

O histórico eleitoral do PT no Rio Grande do Sul, que governou com Olívio Dutra e Tarso Genro, passou por mudanças significativas. Desde 2018, a legenda não alcança o segundo turno nas disputas estaduais, o que levou a uma reavaliação de tática nacional descrita pelo professor Paulo Ramirez como uma transição para o apoio a aliados de espectro de esquerda, garantindo base política em vez de candidaturas isoladas.

Apesar das tensões iniciais, dirigentes locais agora defendem a coesão. Valdeci Oliveira, presidente do PT-RS, destaca a necessidade de afinidade entre as agendas estaduais e nacionais, enquanto Romildo Bolzan Jr., do PDT, celebra a amplitude da chapa como um diferencial competitivo para o cenário eleitoral gaúcho.

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