PERSEGUIÇÃO CRUEL TERMINA

Vítima de perseguição há 10 anos comemora prisão de suspeito em Teresina

Foto de divulgação da Polícia Militar do Piauí mostrando o suspeito preso.
Suspeito de perseguir e ameaçar ex-colega de trabalho há quase 10 anos é preso em Teresina

Após quase uma década de medo e ameaças, mulher celebra detenção de ex-colega. Justiça emite nota sobre apoio à vítima.

Uma auxiliar de escritório, de 33 anos, comemora nesta quarta-feira, 20 de maio de 2026, a prisão de um ex-colega de trabalho que a perseguiu e ameaçou por quase dez anos em Teresina. A decisão de prendê-lo foi tomada pela Justiça após reiteradas denúncias e o temor da vítima de ter sua integridade física comprometida. A prisão encerra um longo período de angústia e possibilita o retorno da mulher à sua rotina sem o medo constante de encontrar o agressor.

“Vou voltar para a minha rotina de antes sem medo dele aparecer. É uma sensação muito boa”, declarou a auxiliar, aliviada após anos convivendo com o receio. A prisão do suspeito, J. da S. N., ocorreu na noite de terça-feira (19), no bairro Lourival Parente, Zona Sul da capital. A vítima ressalta a importância da prisão para sua paz e segurança. "Eu lutei muito para tentar prender ele. Fico mais calma e sossegada sabendo que ele está preso. Assim consigo andar na rua sem a sensação que posso dar de cara com ele", afirmou.

O crime de perseguição, conhecido como stalking, está tipificado no artigo 147-A do Código Penal desde 2021, com penas que variam de seis meses a dois anos de prisão, podendo ser aumentadas em casos envolvendo mulheres. Segundo a vítima, foram registrados 24 boletins de ocorrência contra o homem. A perseguição teve início em 2016, quando ambos passaram a trabalhar na mesma empresa.

A intensificação das ameaças ocorreu em 2017, ainda no ambiente de trabalho, quando o suspeito chutava objetos e chegou a ameaçá-la de morte. Após ser demitido logo em seguida, a situação se agravou, segundo a vítima, que continuou sendo perseguida. Ela frequentou delegacias diversas vezes para registrar os casos e buscar proteção. Para se defender, a auxiliar passou a gravar vídeos, registrando momentos em que o suspeito aparecia em seu trabalho ou a seguia na rua. Em um vídeo de novembro de 2024, ele a aborda ao retornar ao trabalho após um afastamento, dizendo: “bom te ver depois de tanto tempo”. Em outra ocasião, ela relatou ter sido seguida após sair para uma farmácia e acionado a polícia, mas não obteve atendimento imediato.

Os incidentes mais recentes ocorreram em 6 de maio, quando o suspeito, por volta das 17h42, abordou a vítima na Zona Sul ao sair do trabalho, sacudindo a moto em que ela estava, e em 12 de maio, quando enviou uma mensagem a uma prima da vítima com a frase: “ela vai morrer”, caso que foi registrado como ameaça.

J. da S. N. já havia sido preso em 2025 por descumprir uma medida protetiva que o impedia de se aproximar da vítima. Durante a abordagem mais recente, seu celular foi apreendido. Ele foi encaminhado à Central de Flagrantes e está à disposição da Justiça. O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI), por meio do Núcleo de Atendimento às Vítimas (NAVI), informou que, ao tomar conhecimento do caso, iniciou medidas de acolhimento, escuta qualificada e acompanhamento psicossocial da vítima. O MPPI também articula institucionalmente com promotorias, acompanha processos e garante a comunicação sobre ameaças e medidas cautelares relacionadas à investigação, reforçando seu compromisso com a proteção de vítimas de perseguição e violência.

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