ENERGIA DO FUTURO

UFRN desenvolve película protetora para painéis solares flexíveis

Comparação visual entre painéis solares rígidos e o conceito de painéis solares flexíveis.
Painéis solares tradicionais de silício versus o potencial das células flexíveis de perovskita.

Pesquisa da UFRN testa proteção inovadora para tornar células solares de perovskita mais leves, flexíveis e duráveis, com potencial para reduzir custos e impactos ambientais.

Um avanço significativo na busca por fontes de energia limpa foi anunciado por pesquisadores da UFRN, nesta sábado, 13/06/2026. Decidiu-se testar e desenvolver uma película protetora inovadora para células solares de perovskita, visando aumentar sua leveza, flexibilidade e, crucialmente, sua durabilidade. Essa decisão importa porque representa um passo adiante para a viabilidade comercial de painéis solares de nova geração, mais adaptáveis e potencialmente mais acessíveis, com menor impacto ambiental em sua produção. As células solares de perovskita são promissoras por oferecerem alternativas aos tradicionais painéis de silício, que, apesar de eficientes, são rígidos, caros de produzir e geram resíduos industriais. A nova tecnologia surge com o potencial de criar painéis mais leves, flexíveis e de menor custo. Contudo, o principal obstáculo para sua ampla adoção reside na fragilidade das perovskitas, que se degradam rapidamente quando expostas à umidade, ao oxigênio e à radiação ultravioleta, especialmente em climas tropicais como o do Brasil. Para contornar essa vulnerabilidade, a equipe do Laboratório de Tecnologia Ambiental da UFRN (LabTam/UFRN) criou uma barreira protetora. Elaborada a partir de um copolímero sintético, essa película atua como um escudo contra os elementos degradantes. Luiz Felipe da Hora, pesquisador do projeto, explica que a visão comum de energia solar ainda se limita aos painéis de silício, dominantes no mercado pela sua robustez e longevidade. "As células de perovskita surgem como uma alternativa mais leve e flexível, mas ainda precisam superar o desafio da estabilidade", reforça. A pesquisa propôs encapsular o filme de perovskita com um polímero especializado, capaz de mitigar os efeitos prejudiciais da umidade, do oxigênio e da luz UV. A analogia utilizada é a de um verniz que protege a madeira da água, preservando suas características originais por mais tempo. Um diferencial notável da pesquisa foi a condução dos testes em condições ambientais realistas, aproximadas das encontradas em Natal, onde a umidade pode atingir 70%. Essa capacidade de operar fora de glove boxes, câmaras seladas e de custo elevado, abre caminhos para a produção em larga escala, principalmente em regiões quentes e úmidas. Adicionalmente, o estudo optou pela substituição do chumbo, um componente comum em células de perovskita, pelo bismuto. Essa troca visa diminuir os riscos ambientais e de saúde, embora ainda apresente desafios para alcançar a mesma eficiência energética. A iniciativa alinha a tecnologia a um futuro mais sustentável, ponderando os obstáculos remanescentes. "Nos testes descritos no artigo, encapsulamos apenas o filme de perovskita", pontua Luiz Felipe da Hora. "O desafio agora seria aplicar essa proteção à célula completa. Mas fica a pergunta: até que ponto vale diminuir a eficiência para aumentar a durabilidade?", reflete. Ainda em estágio laboratorial, o estudo foca nos aspectos cruciais da estabilidade do material. Espera-se que tais avanços permitam, futuramente, a comercialização de células solares de perovskita, viabilizando painéis solares flexíveis para aplicações em fachadas de vidro, superfícies curvas e até mesmo em vestuário. A pesquisa, desenvolvida primordialmente no LabTam/UFRN com colaboração da UNESP, conta com a autoria de Luiz Felipe da Hora, sob a orientação da professora Dulce Maria de Araújo Melo. Os coautores incluem Ângelo Anderson Silva de Oliveira, Vivian Yamashita Brizola, Stephany da Silva Mendonça, Fernando Velcic Maziviero, Rayla Ngila Taveira de Brito, Renata Martins Braga e José Luiz Cardozo Fonseca. O projeto recebeu apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), através do processo nº 408041/2022-6.

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