VIOLÊNCIA NO AMBIENTE ACADÊMICO
Arquivamento de denúncia de assédio sexual na UFRN gera sensação de impunidade
A decisão de arquivar o caso por falta de provas, tomada em data anterior, deixa uma ex-bolsista em busca de respostas enquanto a Universidade Federal do Rio Grande do Norte tenta reforçar seus mecanismos de acolhimento.
Uma ex-bolsista denunciou ter sido vítima de assédio sexual praticado por um servidor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), processo que foi arquivado por falta de provas conforme decisão consolidada antes de 17/07/2026. A estudante relatou que a conduta do servidor evoluiu de abordagens constantes para contato físico não consentido, uma experiência que comprometeu sua dignidade e sentimento de segurança no ambiente de trabalho acadêmico.
A estudante expressou que o desfecho administrativo trouxe um profundo sentimento de vulnerabilidade e receio de que o silenciamento institucional possa perpetuar o ciclo de violência contra outras mulheres. O caso ganha contornos de urgência ao considerar um levantamento da Ouvidoria da UFRN: entre 2020 e 2025, a instituição registrou uma média anual de 14 denúncias de assédio sexual, sendo que, a cada dez relatos, entre oito e nove envolveram vítimas mulheres.
Diante das críticas sobre a eficácia dos processos correcionais, a UFRN destacou que, desde 2023, mantém uma política institucional de enfrentamento aos diversos tipos de assédio. A Corregedoria e a Comissão de Ética são os órgãos responsáveis pela apuração administrativa. Segundo a instituição, toda denúncia passa por uma análise preliminar para verificar a existência de elementos mínimos de autoria e materialidade antes de dar prosseguimento a uma investigação formal.
Para tentar mitigar o impacto traumático dessas ocorrências, a universidade enfatiza que não basta apenas a via processual legal. A instituição implementou o Núcleo Acolher, um serviço dedicado ao suporte psicológico e social de vítimas de violência, integrando ações do Núcleo de Enfrentamento às Violências. As denúncias seguem sendo recebidas de forma identificada ou anônima por meio da plataforma Fala.BR ou do e-mail da Ouvidoria, como parte das estratégias de prevenção e combate a abusos no âmbito acadêmico.
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