REVISÃO DE BENEFÍCIOS
Setor de supermercados propõe reformulação do modelo atual de VRs e VAs
João Galassi, presidente da Abras, defende maior interoperabilidade e redução de custos, além de discutir escala de trabalho.
Nesta quinta-feira, 21/05/2026, o presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), João Galassi, defendeu uma reformulação no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). A proposta visa uma revisão do modelo atual dos vales-alimentação e vales-refeição para oferecer maior interoperabilidade entre bandeiras e reduzir os custos gerais do sistema. A Abras argumenta que o modelo vigente concentra o mercado de benefícios em poucas empresas, gerando despesas elevadas para o varejo e para os empregadores.
A entidade busca ainda mudanças que ampliem a liberdade de escolha tanto para empresas quanto para trabalhadores, promovendo uma maior competição entre os operadores do sistema. Segundo o setor de supermercados, a modernização do PAT pode impactar significativamente a dinâmica de consumo de alimentos no país, especialmente em um cenário de renda pressionada e maior sensibilidade a preços. Durante o Apas Show, Galassi avaliou que alterações no sistema de benefícios afetam diretamente o fluxo de compras no varejo alimentar, reforçando seu argumento de que "benefício tem que beneficiar quem trabalha".
Adicionalmente, o presidente da associação defendeu uma mudança gradual nas regras da jornada de trabalho no Brasil, com foco na discussão sobre o possível fim da escala 6x1. Dentro dessa proposta, o setor sugere que a carga horária atual de 44 horas semanais seja mantida durante um período de transição. A avaliação é que alterações abruptas no regime de jornada poderiam afetar a operação de atividades essenciais e o custo do trabalho no varejo alimentar. Por isso, o projeto prevê um período de adaptação que pode variar entre seis e dez anos até a eventual implementação da escala 5x2.
Galassi argumentou que supermercados operam com funcionamento contínuo e alta dependência de mão de obra, o que exigiria ajustes graduais em caso de mudança estrutural. A Abras também conecta esse debate à chamada "PEC do Horista", que propõe modelos de contratação por carga horária reduzida. "Modelo permitiria incorporar milhões de trabalhadores hoje na informalidade, especialmente motoristas de aplicativo e entregadores, ao sistema formal de trabalho", explicou a entidade. Para Galassi, o modelo atual não acompanha as transformações no mundo do trabalho, citando mais de 5 milhões de trabalhadores ligados a plataformas digitais como parte do argumento para a ampliação de formatos flexíveis de contratação.
O segmento de supermercados relaciona ainda a discussão da jornada a impactos sobre o preço ao consumidor, sustentando que mudanças sem um período de adaptação adequado poderiam pressionar os custos operacionais.
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