MUDANÇA NO VAREJO

Varejo alimentar redireciona foco e prioriza eficiência ante expansão física

Fachada de unidade do supermercado Pão De Açúcar no Rio de Janeiro
Loja do Pão De Açúcar (GPA) no Rio de Janeiro. — Foto: MAURO PIMENTEL/AFP

Redes como GPA, Dia e Carrefour reavaliam estratégias de crescimento diante de juros altos e mudança no comportamento do consumidor brasileiro.

A presença física de grandes redes de supermercados passa por uma reconfiguração profunda, refletindo um movimento de cautela e busca por rentabilidade após anos de expansão acelerada. Essa mudança de rota foi intensificada em março deste ano, quando o Grupo Pão de Açúcar (GPA) deu início a um plano de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas, movimento que culminou no fechamento ou conversão de diversas unidades, como as do antigo Extra.

O cenário, que impacta diretamente a rotina de quem busca economizar nas compras diárias, é reflexo de uma equação econômica complexa: juros elevados e a necessidade de eficiência operacional. Empresas como Dia, St Marche e Grupo Mateus também reviram seus modelos, priorizando a sustentabilidade financeira das unidades existentes em vez da abertura desenfreada de novos pontos.

O custo da estrutura física

Durante anos, a expansão territorial foi o motor do varejo alimentar para ganhar escala e negociar com fornecedores. Contudo, essa estratégia exige custos elevados com logística, funcionários e tecnologia. Conforme aponta Ulysses Reis, da Strong Business School, a expansão só se justifica quando aliada a uma operação de baixo custo operacional e alto giro de estoque.

O ambiente macroeconômico agravou a situação. Após atingir a marca de 2% em agosto de 2020, durante a pandemia de Covid-19, a Selic subiu drasticamente, chegando a 15% ao ano em julho de 2025. Esse encarecimento do crédito, na visão de Thomas Felsberg, sócio fundador do Felsberg Advogados, "espreme" as margens e torna o crescimento financiado por dívidas um risco elevado para as companhias.

O consumidor no centro da mudança

A transformação não é apenas financeira, mas comportamental. Com orçamentos mais restritos, o consumidor brasileiro tornou-se mais seletivo. Dados da NielsenIQ (NIQ) de junho deste ano revelam que 66% dos clientes buscam preços menores e 80% planejam as compras com antecedência. Essa postura impulsionou os atacarejos e a busca por marcas próprias.

A concorrência também se digitalizou. Além dos supermercados tradicionais, plataformas como Mercado Livre e Amazon passaram a disputar o mercado de alimentos, oferecendo conveniência e facilidade de comparação, forçando o setor tradicional a repensar não apenas onde está, mas como entrega valor ao cliente final.

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