MERCADO CORPORATIVO
Mercado de benefícios flexíveis ganha força e transforma rotina no Brasil
Setor que movimenta R$ 150 bilhões ao ano adota cartões unificados, impulsionado por novas regras do PAT e maior liberdade de uso pelos trabalhadores.
O setor de benefícios corporativos passa por uma transformação profunda, consolidando a transição de modelos físicos tradicionais para cartões flexíveis que unificam diversas categorias de auxílio. A mudança, que impacta mais de 20 milhões de colaboradores em todo o Brasil, foi detalhada na segunda-feira (3) por especialistas do setor durante o programa Hora H.
Os cartões flexíveis reúnem modalidades como mobilidade, educação, refeição e alimentação em um único instrumento de gestão. Tiago Barra, diretor de Marketing da Swile Brasil, destacou a ineficiência do modelo antigo ao observar que a consolidação desses serviços é uma demanda irreversível do mercado.
A tendência de personalização é evidenciada pela alta demanda do Vale Natal. Segundo levantamento da Swile, o benefício registrou um salto de 56% na procura em 2023, dobrando no ano seguinte e avançando mais 23% em 2025, com um gasto médio de 330 reais por usuário.
Regulação e impacto comercial
Além da tecnologia, o avanço é sustentado por alterações regulatórias no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). As novas diretrizes impõem um teto de 3,6% para as taxas cobradas de restaurantes e mercados, além de reduzir o prazo de repasse financeiro de 30 para 15 dias. A medida visa aliviar o fluxo de caixa de estabelecimentos comerciais, que antes sofriam com a necessidade de antecipar valores devido a prazos alongados.
Erik Momo, presidente da Associação Nacional de Restaurantes, pontua que a limitação das taxas e o prazo menor corrigem uma distorção que penalizava os estabelecimentos. Com a interoperabilidade, os vouchers passam a ser aceitos em qualquer rede que opere com bandeiras tradicionais, eliminando a exigência de contratos individuais por marca.
Atenção à natureza jurídica
Apesar da flexibilidade, especialistas alertam para os riscos trabalhistas. O professor de Direito do Trabalho, Daniel Queiroz, ressalta que o uso indevido de créditos — como em pet shops ou serviços de streaming — pode descaracterizar a natureza do auxílio.
Caso o saldo não seja categorizado corretamente para finalidades alimentares conforme as normas do PAT, a empresa pode enfrentar questionamentos jurídicos sobre a natureza salarial dos valores creditados. Por isso, as operadoras de RH e o setor de gestão de pessoas precisam manter bloqueios ativos contra a aquisição de itens não permitidos.
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