DIREITO À MORTE

Morre Catalina Giraldo, psicóloga colombiana que buscava o suicídio assistido

Retrato de Catalina Giraldo
Catalina Giraldo, 30 anos, em imagem de arquivo pessoal. Foto: Cortesia de Catalina Giraldo e DescLAB

Após anos de batalha judicial sem regulamentação, Catalina Giraldo faleceu em 9 de julho de 2026. Caso reacende o debate sobre autonomia e dignidade.

Catalina Giraldo, uma psicóloga de 30 anos que lutava há mais de uma década contra um quadro severo de saúde mental, faleceu no dia 9 de julho de 2026. A morte ocorreu em uma clínica em Bogotá, na Colômbia, por meio de eutanásia, após a paciente ter tido sucessivas negativas judiciais e administrativas para acessar o suicídio assistido — um mecanismo que ela defendia como uma forma de autonomia e despedida menos traumática junto à família.

Diagnosticada com Transtorno Depressivo Maior grave e persistente, transtorno de personalidade borderline e transtorno de ansiedade, Giraldo buscou tratamento intensivo ao longo de dez anos. Seus esforços incluíram cerca de 40 combinações de medicamentos, anos de psicoterapia, terapias eletroconvulsivas e infusões de cetamina. Desde 2019, o histórico de saúde da paciente registrou nove internações por crises agudas e diversas tentativas de suicídio.

O caso ganhou repercussão nacional em março de 2026, quando a psicóloga relatou em uma reportagem ao Noticias Caracol o profundo esgotamento decorrente de sua condição. A busca pelo suicídio assistido por médicos — procedimento onde o próprio paciente administra a substância prescrita sob supervisão — encontrou barreiras intransponíveis no sistema de saúde da Colômbia. Embora a eutanásia seja descriminalizada no país para casos de sofrimento incompatível com a dignidade, a assistência médica ao suicídio permanece sem regulamentação específica pelo Ministério da Saúde, resultando em um impasse jurídico.

Ao lado de seu advogado, Lucas Correa Montoya, Giraldo travou uma batalha judicial para forçar o sistema a reconhecer o direito à morte assistida. A última tentativa, uma ação de tutela impetrada em novembro de 2025, foi negada pelo Judiciário sob o argumento de que outras alternativas, como um novo comitê médico para análise de eutanásia, não haviam sido esgotadas. A decisão final não permitiu que o caso subisse à Corte Constitucional para o estabelecimento de diretrizes definitivas, mantendo o vazio normativo sobre o procedimento.

A morte de Catalina Giraldo, ocorrida nesta terça-feira, 14/07/2026, marca o fim de uma busca pessoal por dignidade que, segundo sua própria defesa, visava também abrir espaço para um debate social sobre a proteção de pacientes em sofrimento extremo. Enquanto a Colômbia, a Holanda, a Bélgica, Luxemburgo, Espanha e outros países avançam em diferentes legislações sobre o fim da vida, o Brasil mantém o suicídio assistido tipificado como crime pelo Código Penal.

Se você ou alguém que você conhece está atravessando um momento difícil, procure ajuda no Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188, ou busque atendimento em unidades como o CAPS ou UPA 24h.

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