SAÚDE E ESTÉTICA
Os riscos da soroterapia: quando a busca pela beleza desafia a ciência
Especialistas alertam que infusões intravenosas para fins estéticos carecem de comprovação científica e trazem riscos desnecessários ao organismo.
A prática da soroterapia em indivíduos saudáveis vem ganhando popularidade, impulsionada por promessas de rejuvenescimento, aumento de energia e reforço da imunidade. No entanto, autoridades sanitárias e sociedades médicas decidiram emitir alertas rigorosos sobre a ausência de eficácia comprovada e os perigos envolvidos no procedimento para fins estéticos, destacando que a técnica deve ser restrita a quadros clínicos específicos.
'A preocupação central das entidades médicas reside no fato de que o procedimento é frequentemente comercializado como um atalho para a saúde. O uso de soros intravenosos — uma estratégia que deve ser reservada para pacientes com dificuldades comprovadas de absorção intestinal, como portadores da doença de Crohn ou submetidos a cirurgias do aparelho digestivo — acaba expondo pessoas sadias a riscos evitáveis, como infecções, inflamações venosas e sobrecarga de órgãos vitais.
Conforme explicado pelo reumatologista Adérito Cruz, conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, a administração de substâncias diretamente na corrente sanguínea só se justifica quando o corpo perde a capacidade fisiológica de processar nutrientes via oral. "Não faz sentido injetar na veia aquilo que o corpo absorveria sozinho", pontua o especialista.
Além da falta de evidências sobre os supostos benefícios, Clayton Macedo, endocrinologista do Hospital Israelita Albert Einstein e diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), ressalta que o efeito de bem-estar relatado por muitos usuários pode ser resultado de um efeito placebo ou da presença de substâncias estimulantes ocultas nas fórmulas. Para a Anvisa, a soroterapia fora de contextos terapêuticos definidos não apresenta segurança validada.
A recomendação atual dos profissionais é clara: a busca pela longevidade e pelo bem-estar deve ser pautada em hábitos sustentáveis — como nutrição equilibrada, prática de atividades físicas e sono reparador — em vez de intervenções invasivas sem indicação clínica. A ética médica impõe que qualquer procedimento prescrito seja baseado em rigor científico e não apenas em promessas comerciais.
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