PATRIMÔNIO E INFLUÊNCIA

Kevin de Carvalho Marques acumula R$ 27,7 milhões após dois anos de advocacia

Foto do ministro do Supremo Tribunal Federal, Kassio Nunes Marques.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Kassio Nunes Marques.

Documentos da CVM revelam crescimento expressivo no volume financeiro do filho do ministro Kassio Nunes Marques, que atua em tribunais onde o pai exerce influência.

Kevin de Carvalho Marques, advogado e filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, consolidou um patrimônio de R$ 27,7 milhões em fundos de investimento após pouco mais de dois anos de trajetória profissional. A movimentação, que levanta debates sobre a interseção entre o exercício da advocacia e o sistema judiciário, foi revelada por documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) enviados à CPI do Crime Organizado do Senado nesta quinta-feira, 09/07/2026.

Os registros indicam uma evolução financeira acelerada em 2025. O advogado possuía R$ 5 milhões em um fundo de renda fixa do Banco do Brasil em 31 de agosto de 2025, montante que saltou após uma nova aplicação de R$ 22,4 milhões realizada no segundo semestre do mesmo ano. Enquanto o mercado jurídico aponta que apenas 1% dos advogados em início de carreira alcançam rendimentos próximos a 20 salários mínimos, o volume financeiro acumulado por Kevin chama a atenção pela rapidez em um cenário de alta complexidade.

Em nota, a assessoria de Kevin de Carvalho Marques reiterou que todos os valores estão declarados à Receita Federal e que o profissional não advoga no STF. O advogado obteve sua licença da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em fevereiro de 2024 e, desde então, tem sido contratado por grupos econômicos de grande porte, como a Refit e o Grupo Petrópolis. Grande parte dos processos em que atua tramita no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), corte onde seu pai atuou como magistrado antes de sua ascensão ao STF.

A atuação de parentes de ministros de tribunais superiores é um tema recorrente de escrutínio público. Atualmente, o STF e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) contabilizam quase 2.000 processos que envolvem familiares de magistrados. Embora não existam irregularidades apontadas nas aplicações financeiras ou na atuação de Kevin, o caso intensifica as discussões sobre transparência e limites éticos no Direito, especialmente pela conexão entre a carteira de clientes do advogado e grandes disputas societárias e tributárias no país.

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