DIREITOS HUMANOS VIOLADOS

Idoso resgatado de trabalho análogo à escravidão dividia alojamento com animais no Pará

Barraco de madeira onde o idoso foi encontrado em condições de trabalho análogo à escravidão.
Idoso foi resgatado de moradia precária na região de Altamira após anos de isolamento.

Trabalhador vivia isolado na Estação Ecológica Terra do Meio, em Altamira, enfrentando insegurança alimentar, falta de saneamento e riscos constantes de ataques de animais.

Uma operação coordenada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho resgatou um trabalhador de 65 anos de uma situação degradante de trabalho análogo à escravidão em Altamira, no sudoeste do Pará. A decisão pelo resgate foi tomada por um grupo de fiscalização composto pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, Ministério Público do Trabalho no Pará e Amapá (MPT PA-AP), Polícia Federal (PF) e Defensoria Pública da União (DPU), visando interromper o ciclo de abusos e negligência enfrentado pela vítima.

O trabalhador, que atuava na propriedade rural localizada na Estação Ecológica Terra do Meio há 8 anos, vivia em condições de total desamparo. Segundo os órgãos responsáveis, ele dividia seu alojamento precário — um barraco de madeira sem banheiro ou água potável — com animais, incluindo bois e porcos que circulavam livremente pelo interior do local.

A situação impunha riscos severos à dignidade e à integridade física do homem, que é analfabeto e possui deficiências auditivas e visuais. Relatos indicam que o idoso ficava em vigília durante a noite para se proteger de morcegos e convivia com a presença de animais peçonhentos, tendo sido vítima de picadas de jacacaras e ferradas de arraias. O acesso ao local, distante mais de 800 quilômetros de Belém, só é possível via aérea ou fluvial, o que contribuía para o isolamento extremo da vítima, que chegou a ficar três anos sem qualquer contato com seus familiares.

A fiscalização também identificou um quadro crítico de insegurança alimentar. A água consumida era retirada de um rio, armazenada em recipientes de óleo lubrificante e apresentava aspecto turvo. A alimentação era escassa e insuficiente, levando o trabalhador a sinais claros de desnutrição.

Após a ação, o trabalhador foi inserido na rede de proteção socioassistencial de Altamira, onde recebeu atendimento médico e psicológico. Um Termo de ajustamento de conduta foi firmado no valor de R$ 120 mil para assegurar as verbas rescisórias e a reparação por danos morais. O homem já restabeleceu o contato com sua família e será acolhido em São Félix do Xingu (PA).

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário