CRISE HUMANITÁRIA AGUDA
ONU Mulheres denuncia ciclo de violência sexual contra mulheres no Sudão
Relatório aponta que civis em al-Obeid sofrem abusos ao buscar recursos básicos, sob risco de ataques constantes.
Mulheres e meninas em al-Obeid, no Sudão, enfrentam um cotidiano de terror marcado por ataques com drones durante o dia e violência sexual sistemática ao buscarem água sob o manto da noite. A denúncia foi oficializada pela ONU Mulheres nesta sexta-feira (24), evidenciando como a luta pela sobrevivência expõe civis a violações extremas de direitos humanos em uma cidade sob cerco.
O acesso a alimentos e cuidados de saúde tornou-se escasso em al-Obeid, capital do estado de Kordofan do Norte. A região é palco de uma escalada de combates entre o Exército do Sudão e as Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar cujo embate alimenta uma das crises mais severas da atualidade. Anna Mutavati, diretora regional da ONU Mulheres para a África Oriental e Austral, destacou que o estupro e outras formas de violência são utilizados contra essas mulheres enquanto tentam suprir necessidades básicas.
O cenário é agravado pela precariedade estrutural. O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, reportou que a população local enfrenta condições equivalentes a um bloqueio há 18 meses, com o agravante de ataques implacáveis de drones. O temor é que a inação internacional permita a repetição de atrocidades registradas anteriormente em al-Fashir, no Darfur do Norte.
Os dados revelam um panorama alarmante: estima-se que 12,7 milhões de mulheres e meninas precisem de serviços de proteção contra violência de gênero em todo o Sudão neste ano — um salto de 400% desde o início do conflito. A situação é exacerbada pelo corte no financiamento de organizações locais, que têm visto espaços de acolhimento fecharem as portas por falta de recursos essenciais.
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