VIOLÊNCIA NO EXTERIOR
Brasileira denuncia agressões e cárcere após viagem para trabalhar no Caribe
Após tentativa de intercâmbio terminar em agressões físicas e retenção de documentos, empresária cearense consegue retornar ao Brasil com auxílio consular.
Uma empresária cearense de 25 anos denunciou ter sofrido violência física e psicológica após viajar para trabalhar como au pair na ilha de Martinica, território francês no Caribe. A decisão de buscar o intercâmbio, motivada pelo desejo de proporcionar uma nova vida para a família, culminou em uma série de abusos, incluindo a retenção de seu passaporte e celular pelo empregador após desentendimentos sobre as condições de trabalho.
Giselle Matias conseguiu retornar para Itapipoca, no Ceará, na segunda-feira (20), após receber auxílio para o custeio do transporte. O caso ganhou repercussão depois que a brasileira divulgou vídeos nas redes sociais em 16 de julho, relatando a insegurança e os maus-tratos enfrentados durante o período na ilha.
A contratação ocorreu por meio de uma plataforma online que conecta famílias a interessados no serviço, sem o intermédio de agências especializadas ou orientação sobre documentação migratória. Segundo o relato da cearense, a promessa era de que, após o período de férias no Caribe, ela acompanharia a família ao Canadá para regularizar seu visto. No entanto, ao chegar em Le Marin, no início de julho, a realidade encontrada divergia das promessas feitas pelo anfitrião.
Após uma tentativa de autoprovocação devido ao desespero com a situação, a brasileira afirma ter sido coagida a sair da casa. Foi nesse momento que o anfitrião teria se apoderado de seus pertences. Em depoimento prestado à polícia local, a vítima relatou ter sido arrastada pela escada da residência, resultando em uma fratura no pé que ainda requer o uso de bota imobilizadora.
O Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha o caso e presta assistência por meio do Consulado-Geral do Brasil em Caiena, na Guiana Francesa. Em nota, a pasta reforçou que, por questões de privacidade e ética, não divulga detalhes específicos sobre a assistência prestada, mas confirmou o suporte habitual oferecido a brasileiros em situações de vulnerabilidade no exterior.
A empresária, que pretende ingressar com uma ação judicial contra o agressor, utiliza agora sua experiência para alertar outros brasileiros. Em seus vídeos, ela enfatiza a importância de buscar agências verificadas e assegurar que as ofertas de trabalho não ignorem critérios essenciais de segurança e legalidade, destacando que o deslumbre por uma mudança de vida não deve sobrepor a cautela necessária em negociações internacionais.
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