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Empresas investigadas receberam R$ 1,2 bilhão em serviços do Banco Master

Empresas investigadas receberam R$ 1,2 bilhão em serviços do Banco Master

Levantamento da Receita Federal para a CPI do Crime Organizado aponta inconsistências e ligações com investigados em pagamentos de R$ 1,2 bilhão a dez empresas entre 2022 e 2025. Um escritório ligado à família de Alexandre de Moraes também prestou serviços ao banco.

Um levantamento realizado a partir de dados enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado identificou inconsistências cadastrais e possíveis indícios de empresas de fachada entre companhias que receberam pagamentos do Banco Master por serviços prestados entre 2022 e 2025. A apuração, divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo nesta segunda-feira, 14/06/2026, indica que as dez empresas com maiores repasses somaram cerca de R$ 1,2 bilhão em transferências.

Deste grupo, quatro empresas apresentaram sinais de irregularidades cadastrais ou informações incompatíveis com as exigências investigatórias. São elas: Midias Promotora, Telure Participações, Metanoein Participações e Consultoria e Nanook Participações. Entre os problemas apontados estão telefones genéricos, endereços inadequados ao porte das empresas, e-mails compartilhados e vínculos com pessoas que receberam auxílio emergencial durante a pandemia. Por exemplo, Telure e Nanook compartilham o mesmo telefone e e-mail, embora registradas em estados distintos.

A Midias Promotora teve um de seus administradores citado como beneficiário do auxílio emergencial e já foi alvo de busca e apreensão em investigação sobre investimentos do fundo previdenciário do Estado do Rio de Janeiro.

Outras cinco empresas entre as maiores recebedoras possuem ligação direta com ex-sócios ou integrantes da cúpula do Banco Master. A Ouro Negro Empreendimentos e Participações, que lidera o ranking com quase R$ 220 milhões recebidos, tem como diretor David Lopes Monteiro, irmão de Daniel Lopes Monteiro, investigado na Operação Compliance Zero. A Terra Firme da Bahia, segunda colocada, pertence a Augusto Lima, ex-sócio do banco e também alvo de investigações. MSG Serviços Empresariais e MDSV Participações também estão associadas a ex-sócios da instituição financeira.

O escritório Barci de Moraes, ligado à esposa do ministro Alexandre de Moraes, figura na lista como prestador de serviços jurídicos e de consultoria ao banco. Segundo nota enviada à Folha de S.Paulo, o escritório detalhou ter realizado pareceres, reuniões técnicas, elaboração de manuais internos, implementação de código de ética e atuação em processos administrativos e judiciais.

As empresas citadas apresentaram diferentes posicionamentos ou não responderam aos contatos da reportagem. O Banco Master informou anteriormente que não comentaria o assunto. As investigações sobre movimentações financeiras envolvendo a instituição seguem em andamento, integrando apurações da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e da CPI do Crime Organizado.

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