NOVA DOENÇA RECONHECIDA
Diabetes tipo 5: Federação Internacional do Diabetes reconhece nova categoria da doença
A Federação Internacional do Diabetes (FID) incluiu o tipo 5 em sua classificação, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda não reconhece a condição, gerando debate científico sobre sua autonomia.
[ { "type": "paragraph", "props": {}, "children": [ { "type": "text", "value": "A Federação Internacional do Diabetes (FID) reconheceu formalmente o diabetes tipo 5 como uma nova categoria da doença, uma decisão que divide cientistas e médicos em todo o mundo. A entidade, que representa 251 associações nacionais de diabetes, oficializou a condição em abril de 2025, após um estudo publicado no ano anterior na revista The Lancet, que envolveu mais de 50 cientistas. No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda não considera o tipo 5 uma forma separada da doença, argumentando que faltam evidências científicas suficientes para tal distinção." } ] }, { "type": "paragraph", "props": {}, "children": [ { "type": "text", "value": "A controvérsia reside na natureza do diabetes tipo 5, que acredita-se surgir após longos períodos de desnutrição, especialmente na infância e adolescência. Pacientes com esta condição podem ainda produzir insulina, mas em quantidades insuficientes, e podem apresentar sensibilidade incomum à substância. O tratamento padrão com insulina, aplicado a casos como o da cabeleireira Noella Mukumbi, de 30 anos, da República Democrática do Congo, pode levar a efeitos adversos graves, como hipoglicemia perigosa, a ponto de ser confundido com os tipos 1 e 2 da doença." } ] }, { "type": "paragraph", "props": {}, "children": [ { "type": "text", "value": "Mukumbi, diagnosticada com diabetes tipo 1 em 2023, relatou sentir tonturas e perda de equilíbrio após iniciar as injeções diárias de insulina. "Eu estava arrumando as roupas das crianças, quando meu marido me encontrou no chão, gritando", contou ela ao Serviço Mundial da BBC. Três anos após o diagnóstico inicial, especialistas sugeriram que ela poderia ter diabetes tipo 5, uma condição que, segundo estimativas, pode afetar até 25 milhões de pacientes globalmente. A confusão diagnóstica, alerta a diretora do Instituto Global de Diabetes da Faculdade de Medicina Albert Einstein, Meredith Hawkins, pode levar a danos e mortes por tratamento inadequado com insulina." } ] }, { "type": "paragraph", "props": {}, "children": [ { "type": "text", "value": "A falta de um exame de diagnóstico específico dificulta o reconhecimento internacional. A OMS já havia classificado a condição como "diabetes relacionado à desnutrição" em 1985, mas a retirou de sua classificação oficial 12 anos depois por falta de consenso. Contudo, a organização não descarta a reintrodução futura do tipo 5 em suas diretrizes, mediante evidências de qualidade. A FID, por sua vez, já formou um grupo de trabalho para desenvolver critérios formais de diagnóstico e orientações de tratamento, visando garantir que pacientes como Mukumbi recebam o cuidado adequado. A cabeleireira, após a revisão de seu diagnóstico, teve a dose de insulina diminuída e passou a usar metformina, apresentando melhora radical em sua saúde e recuperação de peso." } ] }, { "type": "paragraph", "props": {}, "children": [ { "type": "text", "value": "Cientistas como V. Mohan, do Dr. Mohan's Diabetes Specialties Centre na Índia, questionam a autonomia do tipo 5, sugerindo que ele possa ser uma variação do tipo 1 ou 2 em pacientes com baixo peso. A preocupação é que a desnutrição crônica, fator associado ao tipo 5, possa se tornar mais prevalente em regiões afetadas por conflitos e insegurança alimentar. A falta de financiamento para pesquisas e o corte em orçamentos globais de saúde, inclusive dos EUA e Reino Unido, representam desafios significativos para a compreensão e tratamento desta nova categoria do diabetes." } ] } ]
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