SAÚDE E PREVENÇÃO
Projeto da Unifesp oferece suporte para quem deseja abandonar o uso de anabolizantes
Iniciativa acadêmica auxilia pacientes a interromper o consumo de substâncias hormonais, visando mitigar riscos graves à saúde cardíaca e sistêmica.
A busca incessante por padrões estéticos tem levado cada vez mais pessoas a recorrerem ao uso de anabolizantes, um fenômeno que especialistas classificam como uma grave crise de saúde pública. Em resposta a esse cenário de riscos elevados, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) criou o projeto “Saindo do Suco com Segurança”, que oferece suporte multidisciplinar para usuários que decidiram interromper o uso dessas substâncias.
A iniciativa, reportada pelo Fantástico neste domingo (9), disponibiliza acompanhamento especializado com nutricionistas e psicólogos. O objetivo é auxiliar pacientes a lidarem com as complexidades físicas e psicológicas da abstinência, incluindo a aceitação das mudanças corporais após o abandono do uso.
Impacto na saúde e riscos fatais
Clayton Macedo, coordenador do projeto, alerta para a periculosidade do uso de hormônios com finalidade estética. Segundo dados apresentados, usuários de esteroides anabolizantes enfrentam um risco de morte três vezes maior e uma possibilidade nove vezes superior de desenvolver miocardiopatia, uma doença severa que compromete o músculo cardíaco.
Além do coração, os danos podem ser irreversíveis, afetando fígado, rins e o sistema endócrino. Entre as complicações listadas pelos especialistas estão quadros de hepatite medicamentosa, tumores hepáticos, quadros de infertilidade e alterações comportamentais drásticas.
Um desafio de saúde pública
O perfil dos participantes do programa da Unifesp, que atualmente acompanha mais de 160 pessoas, demonstra que a prática atravessa diferentes classes sociais e profissões, como advogados, empresários e policiais. Andrea Fioretti, coordenadora do Núcleo de Endocrinologia do Esporte da Unifesp, ressalta que muitos usuários iniciam o uso ainda na adolescência, impulsionados por pressões estéticas e pela influência das redes sociais.
Para aqueles que optam por deixar o chamado “suco”, a decisão representa um ganho fundamental em longevidade e qualidade de vida. Relatos de participantes como Paulo de Melo e Gabo destacam que, embora o processo de readaptação psicológica seja desafiador, a escolha de priorizar a saúde é determinante para evitar desfechos trágicos, como mortes súbitas, que já foram registradas no meio.
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