AVANÇO NA ONCOLOGIA

SUS implementa teste genético para identificar risco hereditário de câncer de mama

Equipamento médico para exames laboratoriais.
Teste genético que identifica risco hereditário de câncer de mama chega ao SUS. — Foto: Reprodução/Jornal Nacional

Exame detecta mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 e auxilia na definição de tratamentos personalizados; rede pública tem até novembro para estruturar o serviço.

O Sistema Único de Saúde (SUS) está em fase de implementação de um teste genético de alta precisão capaz de identificar mutações hereditárias associadas ao câncer de mama. A medida, que visa democratizar o acesso ao diagnóstico preventivo e terapêutico, deverá estar disponível na rede pública até novembro.

O exame, realizado por meio de amostras de sangue ou saliva, foca na detecção de alterações nos genes BRCA1 e BRCA2. A oferta do serviço será gratuita e direcionada prioritariamente a pacientes que já possuem o diagnóstico da doença, permitindo verificar a origem genética do quadro.

Para Gélcio Luiz Quintella Mendes, coordenador de Assistência do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o procedimento altera a lógica do tratamento. Ao identificar a mutação, médicos podem personalizar a terapia, possibilitando intervenções cirúrgicas menos agressivas e otimizando a necessidade de quimioterapia, o que impacta diretamente na qualidade de vida das pacientes.

O caráter hereditário dessas mutações estende a importância do teste para além do paciente principal. A identificação permite que familiares realizem o rastreio antes da manifestação de tumores. Segundo Henrique Lima Couto, mastologista e presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Minas Gerais, a descoberta viabiliza medidas preventivas eficazes, como mastectomias redutoras de risco e cirurgias profiláticas nos ovários.

Atualmente, o procedimento é predominante na rede privada, criando uma lacuna no cuidado preventivo no Brasil, onde são estimados mais de 78,6 mil novos casos da doença neste ano. O relato de pacientes como Lorrayne Raysla da Silva, que optou por medidas preventivas após a confirmação genética, ilustra como a ferramenta é decisiva para o planejamento de saúde a longo prazo.

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