TURISMO CIRÚRGICO ARRISCADO

Brasileiras denunciam médico por complicações graves em cirurgias na Colômbia

Imagem de arquivo pessoal de pacientes brasileiras após cirurgias plásticas na Colômbia.
Vitória Antunes Marqués e Chayane Chilly de Oliveira buscam justiça após complicações em procedimentos na Colômbia.

Pacientes relatam infecções, negligência em pós-operatório e assédio após procedimentos realizados em clínica de Bucaramanga.

Duas brasileiras formalizaram denúncias contra um médico colombiano na Polícia Civil do Distrito Federal, relatando graves sequelas e traumas após se submeterem a procedimentos estéticos em uma clínica situada em Bucaramanga, na Colômbia. A investigação, conduzida pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), apura denúncias de lesão corporal, negligência assistencial, assédio e uso indevido de imagem.

As vítimas, Vitória Antunes Marqués, de 23 anos, e Chayane Chilly de Oliveira, de 28, buscaram o médico Guillermo Andres Gonzalez Gomez após conhecerem seu trabalho por redes sociais. A decisão de buscar reparação judicial ocorreu após ambas enfrentarem quadros infecciosos severos, abertura de pontos cirúrgicos e condições precárias de recuperação.

Vitória, que desembolsou R$ 68 mil pelo pacote de procedimentos, relata que a realidade encontrada na Colômbia divergiu do contrato. Dias após as intervenções, realizadas em 24 de junho, a paciente apresentou febre alta, secreção purulenta e dificuldade respiratória. Exames realizados no Brasil confirmaram a presença da bactéria Serratia marcescens, frequentemente associada a falhas de higiene em ambientes hospitalares.

Além do risco à saúde física, as pacientes denunciam que foram submetidas a procedimentos de sutura improvisados em quartos de hospedagem, sem as mínimas condições de assepsia. Relatos apontam ainda que imagens pessoais foram utilizadas pela clínica para fins publicitários sem consentimento e que o profissional teria utilizado registros em vídeo como forma de ameaça.

Em nota, a clínica Remodelarte nega as irregularidades. A empresa afirma que as alegações não correspondem aos fatos apurados internamente e sustenta que atua com uma equipe multidisciplinar habilitada, seguindo normas aplicáveis tanto na Colômbia quanto no Brasil. O caso segue sob sigilo enquanto a Polícia Civil do DF avança nas apurações.

O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) alerta para os riscos do turismo cirúrgico, destacando a dificuldade de verificar a real qualificação de profissionais e as condições sanitárias de clínicas no exterior. A entidade reforça a necessidade de infraestrutura adequada para garantir a segurança do paciente em casos de intercorrências graves.

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