DADOS DE SEGURANÇA

São Paulo lidera ranking de capitais com menor taxa de homicídios no Brasil

Renato Sérgio de Lima discursando em seminário de segurança pública.
O diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, durante o seminário Brasil Adiante.

Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta a capital paulista como a menos violenta proporcionalmente, embora o furto de celulares siga como um desafio crítico.

São Paulo se consolidou como a capital menos violenta do Brasil em 2025, ao registrar a marca de 7,2 mortes violentas para cada 100 mil habitantes, segundo dados do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgados neste mês. O índice de Mortes Violentas Intencionais (MVI) é o principal parâmetro para medir a segurança de uma região, englobando homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e óbitos decorrentes de intervenções policiais. Enquanto cidades como Brasília, Goiânia, Florianópolis e Vitória também apresentam índices inferiores à média nacional, o cenário em outras capitais, especialmente no Nordeste, aponta para uma realidade distinta. Salvador, Maceió e Recife lideram as taxas de violência, um fenômeno que especialistas associam tanto à disputa territorial por rotas do tráfico quanto a diferenças na dinâmica demográfica das regiões. Para Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a redução dos assassinatos em São Paulo é um reflexo de políticas específicas de proteção à vida e da ausência de conflitos armados entre facções criminosas pelo controle do território. Embora o Coronel Carlos Henrique Lucena, do Centro Integrado de Comando e Controle da Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP), atribua os resultados ao mérito das forças de segurança, o debate sobre o impacto de grupos como o PCC permanece aberto entre estudiosos do tema. O impacto na vida dos paulistanos, contudo, é complexo. Apesar da queda nos assassinatos, a percepção de segurança é afetada pela alta recorrência de crimes contra o patrimônio. A capital paulista detém hoje 20% de todos os roubos e furtos de celulares registrados no Brasil, com uma taxa de 1.390,5 aparelhos subtraídos por 100 mil habitantes. O governo estadual defende que a concentração desses delitos é proporcional ao alto contingente populacional e à infraestrutura econômica da região. Para mitigar o problema, programas como o SP Mobile têm focado na quebra da cadeia logística do crime, com a recuperação de mais de 85 mil aparelhos desde 2023. Especialistas alertam que o furto de dispositivos vai além do prejuízo material, funcionando como uma porta de entrada para golpes financeiros que fragilizam ainda mais a rotina do cidadão.

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