DESVIO DE VERBAS
Polícia Federal investiga grupo suspeito de fraudes milionárias em 30 prefeituras do Ceará, Pernambuco e Piauí
Operação Kingdom apura esquema que movimentou R$ 290 milhões com licitações fraudulentas. Justiça determinou afastamento de dois agentes políticos.
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, a Operação Kingdom. A ação visa desarticular um grupo suspeito de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro no Ceará. A decisão impacta a confiança na gestão pública e a aplicação correta de verbas que deveriam beneficiar diretamente a população.
A investigação identificou que o grupo utilizava empresas com indícios de fachada, além de familiares e possíveis “laranjas”, para direcionar contratos públicos e ocultar recursos supostamente desviados. Esses métodos minam a dignidade ao desviar o propósito de fundos que poderiam ser destinados à saúde, educação e infraestrutura.
Editais de licitação eram elaborados com cláusulas restritivas para favorecer empresas previamente escolhidas pelo esquema criminoso. Uma das empresas investigadas movimentou aproximadamente R$ 290 milhões, com suspeitas de que parte dos valores tenha sido utilizada em operações de lavagem de dinheiro e no pagamento de propina a agentes públicos.
Cinco empresas ligadas ao grupo mantinham contratos com mais de 30 municípios nos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí. Juntas, elas receberam mais de R$ 15 milhões em verbas federais e cerca de R$ 32 milhões de órgãos públicos. A decisão judicial determina o cumprimento de 34 mandados de busca e apreensão em cidades cearenses como Juazeiro do Norte, Jardim, Sobral, Barbalha, Aurora e Porteiras. A Justiça também determinou o afastamento cautelar de dois agentes políticos ligados ao município de Jardim, apontado como núcleo central do esquema.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, fraude à licitação, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, entre outros crimes que seguem sob investigação. As ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5). A decisão é definitiva na esfera administrativa, mas os processos criminais cabem recursos.
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