CRIME E PUNIÇÃO

Violência contra a mulher dispara e gera onda de feminicídios em BH

Imagem representativa de violência contra a mulher.
Casos de feminicídio em Belo Horizonte geram comoção social e exigem respostas das autoridades.

Três casos de extrema brutalidade contra mulheres ocorreram na capital mineira em menos de três dias; Justiça mantém suspeitos presos preventivamente.

Belo Horizonte vive dias de profunda comoção após uma sequência de crimes brutais contra mulheres que escancarou a fragilidade da segurança feminina em Minas Gerais. Entre segunda-feira (20/7) e terça-feira (21/7), a capital mineira registrou dois feminicídios e uma tentativa de homicídio, todos perpetrados por companheiros ou namorados das vítimas, reascendendo o debate sobre a eficácia das medidas protetivas e o ciclo da violência doméstica.

Um dos casos que gerou maior indignação foi a morte da capitã da PMMG Michele Leão Azevedo, de 41 anos. A oficial foi levada sem vida ao Hospital Odilon Behrens pelo marido, o 3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, que alegou que a esposa teria caído após práticas sexuais. A versão foi prontamente contestada pela Polícia Civil, que identificou marcas de agressão física, traumatismo craniano e ferimentos faciais na vítima. Além do feminicídio, o sargento foi preso em flagrante por tráfico de drogas, crime convertido em prisão preventiva pela Justiça na quarta-feira (22/7).

Em paralelo, o bairro Camargos, na Região Oeste, foi cenário de outro crime. Stifanie Ribeiro Firmino Silva, de 36 anos, foi encontrada sem vida em seu apartamento após vizinhos estranharem o comportamento do namorado, visto saindo do local com malas. O suspeito, de 24 anos, apresentou-se ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e confessou o crime. No mesmo período, uma mulher de 31 anos sobreviveu após ser espancada e arremessada da sacada do terceiro andar pelo companheiro, Carlos Antonio Avelar de Oliveira, na Região Leste. O agressor teve a prisão preventiva decretada pela Justiça nesta quarta-feira (22/7) devido à brutalidade do ataque.

Os episódios ocorrem em um cenário alarmante para o estado. Dados analisados pelo Metrópoles indicam que, mantido o ritmo atual, 2026 poderá atingir o maior número de feminicídios da série histórica. Para a especialista da UFMG, Ludmila Ribeiro, o aumento das denúncias não tem sido acompanhado por uma fiscalização estatal eficiente das medidas protetivas. “Precisamos pensar em novas formas de proteção para que a responsabilidade deixe de recair sobre quem já sofreu a violência”, ressalta a pesquisadora, apontando que a presença de armas em casa eleva em 27 vezes o risco de morte para mulheres em situação de vulnerabilidade.

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