CRIME ORGANIZADO ESPECIALIZADO
Quadrilha de medicamentos causa prejuízo de R$ 30 milhões e ameaça saúde
Grupo criminoso realizou mais de 50 assaltos em três anos e meio, desviando cargas de fármacos oncológicos que abasteciam serviços públicos essenciais.
Uma investigação conduzida pela Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) revelou a atuação de uma organização criminosa especializada no desvio de medicamentos, responsável por mais de 50 assaltos ao longo de três anos e meio. Segundo a Polícia Civil, a ação do grupo gerou um prejuízo superior a R$ 30 milhões e comprometeu o abastecimento de serviços públicos essenciais de saúde.
O delegado da DRFC, André Prates, destacou que o volume de carga subtraída atingiu um nível crítico, prejudicando diretamente o acesso de pacientes a tratamentos indispensáveis. A quadrilha, que contava com o suporte de traficantes do Complexo da Maré, era articulada a partir de São Paulo.
A dinâmica dos roubos, registrada em diversas imagens, demonstrava alta periculosidade. Em um dos episódios ocorridos em maio deste ano, no bairro Vila Maria Helena, em Duque de Caxias, os criminosos utilizaram serras elétricas para romper a estrutura de caminhões em plena via pública. Em poucos minutos, a carga, avaliada em R$ 1,1 milhão, era transferida para outros veículos sob ameaça constante aos motoristas.
O impacto humano da atividade criminosa foi agravado pela falta de cuidados na conservação dos produtos. Em ataques realizados na Vila do João, no Complexo da Maré, medicamentos destinados ao tratamento de câncer foram manuseados precariamente durante o transbordo, inutilizando insumos essenciais para pacientes em estado debilitado.
A ofensiva policial resultou na prisão de nomes centrais do esquema. Fernanda Rodrigues França e Umberto Xavier de Lima foram detidos na última terça-feira (21), acusados de gerenciar o escoamento dos produtos para empresas de fachada. Stefano Montovani Fernandes, apontado como líder do grupo, foi capturado em Santo André. Já Ronald Gonçalves da Silva segue foragido.
A defesa de Fernanda Rodrigues França declarou que a verdade dos fatos será reconhecida ao final do processo. O representante de Umberto Xavier de Lima afirmou que não é o momento oportuno para se manifestar. Até o momento, as defesas dos demais envolvidos não foram localizadas.
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