POLÊMICA JUDICIÁRIA
Zema dispara contra STF: "Supremo Balcão de Negócios", exige mudanças e impeachment de ministros
Romeu Zema, pré-candidato do Partido Novo à Presidência da República, reitera denúncias e pede investigações contra ministros, apontando risco à República em entrevista nesta sexta-feira, 24 de abril de 2026.
Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato do Partido Novo à Presidência da República, intensificou suas críticas ao Supremo Tribunal Federal, classificando a Corte como um "Supremo Balcão de Negócios" em entrevista nesta sexta-feira, 24 de abril de 2026. Ele acusa ministros de se associarem a figuras controversas para enriquecimento, postura que, segundo o político, "incendeia" crises e ameaça a República. Zema propõe reformas radicais e o impeachment de magistrados, defendendo que a mudança é crucial para restaurar a credibilidade das instituições e a confiança pública na Justiça brasileira.
O político de Araxá (MG), de 62 anos, apontou nominalmente os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, alegando que se associaram a Daniel Vorcaro, fundador e controlador do Banco Master, para ganho pessoal. "Nós temos ali dois ministros que sabemos nitidamente que se associaram com o maior criminoso do Brasil, que é o fundador e controlador do Banco Master. Foram tomar uísque juntos, voaram no jatinho, tiveram festas, reuniões, eram íntimos, vamos deixar bem claro", detalhou Zema.
Para Zema, a conduta dos magistrados exige não apenas impeachment, mas também investigação aprofundada e eventual prisão. Ele compara a atuação do STF no passado, quando a Corte atuava como "bombeiro" para crises, com a situação atual, onde a considera "incendiária". "Quem antes era bombeiro para apagar incêndio agora se transformou em incendiário. Está colocando a nossa República e as nossas instituições em risco", afirmou, destacando que a crise do Brasil foi gerada dentro do Supremo, por meio de "indicações totalmente inadequadas" de ministros.
As declarações de Zema surgem em um momento em que ele próprio se tornou alvo de uma ação do ministro Gilmar Mendes. O magistrado do STF solicitou a inclusão do pré-candidato no "inquérito das fake news", investigação inicialmente criada para apurar ameaças aos ministros, devido a uma série de vídeos satíricos que Zema publicou nas redes sociais.
Nas publicações, os ministros aparecem como fantoches de pano. Um dos vídeos ironiza a decisão de Gilmar Mendes de anular a quebra de sigilo da empresa Maridt Participações, ligada a Toffoli e seus familiares. Zema defende a sátira como saudável para a democracia e garante que continuará expressando suas opiniões, afirmando que o Tribunal tem se especializado em perseguição.
O pré-candidato do Novo revelou suas propostas para um "novo Supremo", caso eleito à Presidência. As mudanças incluem estabelecer uma idade mínima de 60 anos para os ministros. "Isso corrige dois problemas: primeiro, você não vai colocar gente lá imatura, oportunista, com 35, 40 anos, como já aconteceu", explicou. Essa medida limitaria o tempo de atuação a no máximo 15 anos, garantindo, segundo ele, mais maturidade e experiência aos magistrados, diferentemente de "ministros júnior" indicados para satisfazer vontades presidenciais.
Outra reforma defendida por Zema é o fim das decisões monocráticas, especialmente aquelas que anulam decisões do Congresso Nacional. Ele critica o desequilíbrio onde "uma canetada de um ministro, às vezes um ministro júnior, vale mais do que o voto de 513 deputados federais", defendendo que qualquer análise seja feita pelo colegiado da Corte.
Questionado sobre orientar sua base no Congresso para o impeachment de ministros do STF, Zema respondeu afirmativamente e expressou a esperança de que isso ocorra "antes da eleição". Ele reiterou as acusações contra Dias Toffoli, por uma "transação acionária totalmente anômala", e Alexandre de Moraes, cuja esposa teria sido contratada por um valor que, segundo Zema, seria excessivo para o padrão do Banco Master, sugerindo enriquecimento pessoal "que não é nem um pouco republicana".
Zema também ponderou sobre a reticência de outros políticos em criticar o Supremo, mencionando que o senador Flávio Bolsonaro, por exemplo, poderia temer retaliações contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele concluiu que a percepção pública negativa do STF é justificada, e que a Corte "continuará a ser" um "Supremo balcão de negócios" enquanto ministros acusados de associação com "o maior criminoso de colarinho branco do Brasil" permanecerem no cargo, o que, para ele, é uma "vergonha para o Brasil" e contribui para o retrocesso do país em transparência internacional.
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