PRECEDENTE HISTÓRICO

Tribunal do Júri de Natal condena PM por assassinato de Paulo Henrique

Policial militar Ronaldo Cabral Torres no Tribunal do Júri de Natal, condenado por assassinato de Paulo Henrique Araújo da Silva.
Ronaldo Cabral Torres, policial militar condenado a 12 anos e 6 meses de prisão, em imagem registrada durante o julgamento em Natal.

Decisão da 1ª Vara Criminal de Natal determina 12 anos e 6 meses de prisão para Ronaldo Cabral Torres, em resposta a clamor social por justiça.

Nesta segunda-feira, 04/05/2026, o Tribunal do Júri de Natal condenou o policial militar Ronaldo Cabral Torres a 12 anos e seis meses de prisão em regime fechado. A decisão, proferida pela juíza Eliana Marinho na 1ª Vara Criminal, marca um passo crucial na busca por justiça pela morte do personal trainer Paulo Henrique Araújo da Silva, cujo assassinato em 2022 chocou a comunidade e mobilizou familiares em um clamor por responsabilização.

O julgamento começou por volta das 9h desta segunda-feira, 04/05/2026, no Salão do Júri do Fórum Miguel Seabra Fagundes, em Natal. A sessão foi aberta com a seleção do Conselho de Sentença, composto por sete jurados. Ainda no período da manhã, cinco testemunhas e o próprio réu prestaram depoimento. Houve um intervalo para almoço por volta das 12h10, com a retomada dos trabalhos cerca de uma hora depois.

O Trágico Caso que Chocou Natal

A tragédia que culminou neste veredito ocorreu em 29 de abril de 2022, em Natal. Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime brutal foi motivado por uma discussão de trânsito. Paulo Henrique Araújo da Silva, a vítima, trafegava de motocicleta com sua namorada quando foi supostamente "fechado" por um carro na Ponte de Igapó. O veículo, um Fox, era dirigido pelo policial militar Ronaldo Cabral Torres, que estava acompanhado de sua esposa, também agente de segurança.

A acusação detalha que, após o incidente, Paulo Henrique teria acelerado sua moto ao lado do carro do policial, em uma manobra conhecida como “corta giro”, e feito menção de chutar a porta. Ele então seguiu pela avenida Felizardo Moura, rumo ao bairro Nordeste, na Zona Oeste, em uma aparente tentativa de despistar o veículo. Contudo, ao diminuir a velocidade em uma lombada, a motocicleta foi atingida por trás, causando a queda do personal trainer e sua companheira.

O inquérito revelou que, após a queda, Paulo Henrique se levantou, removeu o capacete e se aproximou do policial. Neste momento, o agente efetuou o disparo fatal. A denúncia aponta que a vítima foi atingida na face, falecendo no local. O Ministério Público reforça que o crime foi cometido por motivo fútil e com um recurso que impediu a defesa da vítima, agravando a conduta do acusado.

A esposa do policial, que havia sido inicialmente denunciada por suposta participação no caso, não foi a julgamento. A Justiça considerou que não existiam indícios suficientes de sua contribuição para o crime, um entendimento respaldado pelo Ministério Público, que solicitou sua impronúncia.

Ronaldo Cabral Torres foi processado por homicídio qualificado, e a denúncia contra ele foi aceita pela Justiça em dezembro de 2022. Curiosamente, naquela ocasião, o Ministério Público havia se posicionado contra a prisão preventiva dos envolvidos, alegando não haver evidências de obstrução às investigações, uma posição acatada pela magistrada responsável pelo caso.

Desde o ocorrido, familiares de Paulo Henrique realizaram diversos protestos, clamando por celeridade na apuração e justiça para a memória do personal trainer. Eles também criaram um memorial virtual, um espaço de lembrança para um homem que, aos 33 anos, era pai de quatro filhos e dedicava-se à profissão de personal trainer, além de atuar como segurança e vigilante. Sua perda prematura deixou um vazio imenso na vida de muitos.

Em 2023, o Comando Geral da Polícia Militar informou o afastamento dos policiais de suas funções e a instauração de um procedimento interno. Na época, a PMRN assegurou que "não compactua com qualquer desvio de conduta de seus membros e colabora com as investigações em curso sobre o caso", reforçando seu compromisso com a legalidade e a transparência diante da sociedade.

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