JUSTIÇA EM XEQUE

STJ torna desembargador réu em caso de venda de sentenças

Fachada do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Brasília, com o sol ao fundo, simbolizando a Justiça.
Representação do Superior Tribunal de Justiça, local da decisão que torna desembargador réu.

Ivo de Almeida é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e advocacia administrativa entre 2019 e 2022. Pedido de afastamento é mantido.

Um marco significativo para a integridade do Poder Judiciário brasileiro foi estabelecido quando o desembargador Ivo de Almeida se tornou réu no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Corte Especial da instituição, em decisão proferida nesta quarta-feira, 06 de maio de 2026, aceitou a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) que o acusa de envolvimento em um grave esquema de venda de sentenças. Essa medida judicial ressoa profundamente na confiança pública, sinalizando o compromisso com a ética e a responsabilização, e reforçando a crença de que a justiça deve ser igual para todos, sem privilégios.

A denúncia, formalizada pela PGR, aponta que o desembargador Ivo de Almeida, membro do STJ, utilizou sua posição para negociar decisões judiciais e beneficiar investigados. O Ministério Público Federal (MPF) comunicou que, além do magistrado, outras três pessoas também foram denunciadas, sendo apontadas como parte integrante da organização criminosa que supostamente atuava na manipulação de processos.

Para o MPF, o modus operandi incluía a intervenção direta junto a autoridades policiais e o acesso a informações sigilosas, tudo para favorecer interesses escusos. As investigações abrangem o período entre 2019 e 2022, revelando uma teia de supostas práticas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, advocacia administrativa e associação criminosa. Estes delitos representam uma afronta direta à dignidade do sistema judicial e à equidade que se espera de seus representantes.

Diante da gravidade das acusações, o MPF solicitou a manutenção do afastamento do desembargador de suas funções até o julgamento final da ação penal. É crucial ressaltar que a aceitação da denúncia transforma o acusado em réu, mas o processo ainda está em fase de apuração e a decisão não configura uma condenação definitiva, cabendo-lhe o direito à ampla defesa.

Em resposta às acusações, a defesa do magistrado comunicou à CNN Brasil que, embora respeite a decisão, discorda veementemente do seu conteúdo. Segundo os advogados, os elementos apurados demonstram uma exploração indevida do nome de Ivo de Almeida por terceiros, sem o seu conhecimento ou anuência.

Devido ao segredo de justiça imposto ao caso, o STJ, o MPF e o Tribunal de Justiça (TJ) informaram que não podem fornecer detalhes adicionais sobre as investigações ou o andamento do processo. Essa medida visa proteger a privacidade dos envolvidos e a integridade da apuração, embora possa limitar o acesso público a informações cruciais sobre um tema de grande interesse social.

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