CHOQUE DE PODER

STF torna Malafaia réu; pastor acusa Moraes de perseguição

Silas Malafaia e Flávio Bolsonaro em culto no Rio de Janeiro, em meio a críticas ao STF e Alexandre de Moraes.
Pastor Silas Malafaia durante culto no Rio, com a presença do senador Flávio Bolsonaro.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal aceitou denúncia contra o líder religioso na última semana, gerando forte reação em culto no Rio de Janeiro, com a presença de Flávio Bolsonaro.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu na última semana tornar o pastor Silas Malafaia réu por injúria, e a resposta veio imediata. Neste domingo, 03 de maio de 2026, durante um culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC) na Zona Norte do Rio de Janeiro, o líder religioso, diante de uma plateia que incluía o senador Flávio Bolsonaro, acusou o ministro Alexandre de Moraes de "perseguição política" e criticou abertamente o STF. A decisão da Corte e a veemente reação de Malafaia intensificam o debate sobre os limites da liberdade de expressão e a relação entre o judiciário, líderes religiosos e a política, com repercussões diretas na dignidade individual e na polarização social.

O evento religioso atraiu uma significativa presença de figuras políticas. Além do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), estiveram presentes o ex-governador Cláudio Castro, o deputado federal Sóstenes Cavalcante, o deputado estadual Douglas Ruas e o ex-prefeito Marcelo Crivella, sublinhando o peso político do encontro em um momento de crescentes tensões.

Durante sua pregação, Malafaia não hesitou em abordar o processo em que se tornou réu no STF. Ele sustentou que o inquérito das fake news foi estabelecido com o propósito de silenciar vozes críticas à Corte, percebendo nas investigações judiciais uma tentativa deliberada de intimidar opositores. Para o pastor, a situação impõe um cerco à liberdade de expressão e atinge diretamente a capacidade de contestação da sociedade civil organizada.

Ao se referir ao processo, o líder religioso defendeu enfaticamente o direito à liberdade de expressão, argumentando que suas críticas eram genéricas e não configuravam crime. Apesar de não citar nomes o tempo todo, ele mencionou nominalmente o ministro Alexandre de Moraes em determinado instante, declarando que, embora o critique veementemente, não nutre ódio pessoal, mas sim divergências sobre suas ações no cargo.

A decisão que tornou Malafaia réu por injúria foi tomada pela Primeira Turma do STF na última semana. O processo se iniciou a partir de declarações proferidas pelo pastor em um ato na Avenida Paulista, em abril de 2024. Naquela ocasião, Malafaia utilizou termos como “frouxos”, “covardes” e “omissos” para se referir a integrantes do Alto Comando do Exército, falas que geraram a controvérsia judicial.

Enquanto alguns ministros não identificaram indícios de calúnia nas palavras do pastor, a maioria da Primeira Turma avaliou que as expressões poderiam, sim, configurar ofensa à honra. Foi com base nessa interpretação que a denúncia por injúria foi aceita, colocando o líder evangélico formalmente como réu e iniciando o trâmite processual que irá apurar a potencial violação da dignidade alheia.

A aproximação com o cenário político foi evidente. Antes do culto, Flávio Bolsonaro e seus aliados participaram de um encontro reservado com Malafaia. Na saída, o senador declarou que sua presença no templo visava primordialmente receber orações do pastor, um gesto que reforça os laços entre a política e a fé em eventos públicos.

Durante a cerimônia, o senador Flávio Bolsonaro foi convidado ao altar e acolhido com aplausos calorosos dos fiéis. Esse gesto é amplamente interpretado como um sinal de reaproximação entre o senador e Malafaia, especialmente após um período em que o pastor manifestou publicamente algumas reservas em relação à possível pré-candidatura do parlamentar, sinalizando uma retomada da aliança.

Ao final do culto, Malafaia pediu que Flávio Bolsonaro transmitisse um abraço ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O pastor mencionou que uma decisão cautelar do ministro Alexandre de Moraes o impede de ter contato direto com o ex-mandatário, reforçando a complexidade das restrições judiciais que afetam figuras públicas.

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