PRISÃO E PRIVILÉGIOS
A rotina de visitas a Jair Bolsonaro na prisão domiciliar em Brasília
Dados revelam 185 acessos à residência do ex-presidente em quatro meses, incluindo familiares, equipe médica e advogados, após decisão do STF.
O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu 185 visitas em sua casa, em Brasília (DF), durante os quatro meses em que cumpre pena por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes. O levantamento foi detalhado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), em decisão que restringiu temporariamente o acesso ao custodiado.
Desde que foi transferido da Papudinha para a prisão domiciliar, em 27 de março, o ex-presidente convive com sua família e mantém uma rotina de atendimentos técnicos e políticos. Entre abril e julho, o controle de acesso registrou a presença de três médicos em 70 ocasiões e seis advogados em 64 reuniões. O ex-assessor especial João Henrique Nascimento de Freitas lidera a lista de visitas jurídicas, com 29 encontros.
O impacto da decisão judicial reflete a busca pelo equilíbrio entre a condição de saúde do custodiado e o cumprimento das medidas cautelares impostas. O ministro Alexandre de Moraes destacou que, apesar da natureza humanitária da prisão domiciliar, não são admissíveis privilégios que desobedeçam ordens judiciais. A restrição foi motivada pela identificação do uso indevido de redes sociais por terceiros para contornar proibições impostas ao ex-presidente.
Entre os episódios que motivaram o endurecimento das regras está a atuação do senador Flávio Bolsonaro. O filho do ex-presidente, que acumula as funções de familiar e advogado, teve suas visitas suspensas por 90 dias após ser apontado como intermediário na divulgação de materiais político-eleitorais vedados pelo Supremo Tribunal Federal.
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