JUSTIÇA

PGR pede condenação de Eduardo Bolsonaro por coação no STF

Ministro Alexandre de Moraes, do STF, em plenário durante uma sessão de julgamento.
Ministro Alexandre de Moraes preside sessão no Supremo Tribunal Federal.

Ministério Público acusa ex-deputado de pressionar ministros e interferir em inquéritos sobre tentativa de golpe de Estado; defesa tem 15 dias para alegações finais.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por coação no curso do processo, em uma ação penal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido, enviado nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, ao ministro Alexandre de Moraes, acusa o ex-parlamentar de tentar constranger ministros da Corte e interferir em investigações sobre a tentativa de golpe de Estado, um movimento que, se comprovado, abala as estruturas democráticas e a confiança na justiça brasileira.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, detalhou nas alegações finais que Eduardo Bolsonaro agiu de forma contínua, usando a ameaça de sanções estrangeiras contra magistrados do Supremo e o próprio Brasil. Algumas dessas medidas, conforme a manifestação de Gonet, teriam sido de fato aplicadas após a mobilização de agentes norte-americanos com poder para impor gravames a cidadãos brasileiros. Essa estratégia, segundo a PGR, visava beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pressionando o Judiciário e levantando preocupações sobre a soberania nacional e a integridade das instituições.

A repercussão do pedido da PGR foi imediata. Pouco após a manifestação, o ministro Alexandre de Moraes concedeu prazo de 15 dias para que a Defensoria Pública da União (DPU), responsável pela defesa de Eduardo Bolsonaro no processo, apresente suas alegações finais. É crucial ressaltar que este pedido de condenação ainda será avaliado pelos ministros, e a decisão final sobre a culpabilidade do ex-deputado não é definitiva, cabendo ampla defesa e recurso.

Eduardo Bolsonaro se tornou réu no STF em novembro do ano passado, quando a Primeira Turma aceitou a denúncia apresentada pela própria PGR. Naquela ocasião, os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia votaram favoravelmente ao recebimento da acusação. Em fevereiro, a abertura da ação penal foi formalizada.

A denúncia que levou Eduardo Bolsonaro ao banco dos réus está inserida no mesmo inquérito que resultou no indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pela Polícia Federal (PF). No entanto, o procurador-geral da República optou por não denunciar o ex-presidente neste caso específico. Vale lembrar que Jair Bolsonaro já foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por sua participação na tentativa de golpe de Estado, em um processo distinto, mas que evidencia a seriedade das acusações que permeiam o cenário político nacional.

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