GUERRA NO TST

Ofensiva do Presidente do TST contra colegas mira vaga no STF

Presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho.
Presidente do TST, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho.

Luiz Philippe Vieira de Mello Filho eleva o tom e ameaça cortar salários, sob suspeita de mirar uma cadeira na Suprema Corte.

Uma ofensiva sem precedentes do Presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, contra parte de seus próprios colegas de Corte intensifica-se nesta quarta-feira, 06/05/2026. A ação alimenta fortes suspeitas de que o magistrado utiliza a polêmica para pavimentar seu caminho rumo a uma vaga no STF, colocando em xeque a reputação e a harmonia do Judiciário.

A corrida por uma cadeira no STF ganhou novo fôlego após a rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado. Em meio a essa disputa, Luiz Philippe, que tem ligações com o grupo do ministro do Trabalho, o petista Luiz Marinho, movimenta-se para se posicionar como um potencial indicado à Corte Suprema.

Em uma sessão recente no TST, Luiz Philippe autodeclarou-se “vermelho”, ecoando a analogia do ministro Ives Gandra. Este último, em palestra, categorizou os ministros da Corte como 'vermelhos' — mais alinhados aos trabalhadores — ou 'azuis' — menos ativistas em questões trabalhistas.

Na sequência de sua declaração, o Presidente elevou o tom e prometeu sanções. Luiz Philippe afirmou que cortaria o salário de ministros que se ausentassem das sessões para ministrar aulas remuneradas em cursos de direito trabalhista, insinuando que estes estariam vendendo estratégias para vencer causas no próprio tribunal. Esta não é a primeira vez que o Presidente do TST lança acusações de comportamento antiético contra seus pares.

Ao adotar um estilo de confronto direto, Luiz Philippe busca ressonância com o discurso do Presidente do STF, Edson Fachin, que prega a implementação de um código de conduta para magistrados em um período de vulnerabilidade institucional. Este movimento parece agradar a uma ala do PT e ao próprio Palácio do Planalto, que veem com bons olhos mudanças na correlação de forças dentro do STF.

A escalada do conflito não é inédita. Em março, o Presidente do TST já havia ameaçado colegas durante uma reunião reservada para a escolha de nomes para o CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Naquela ocasião, ele intimidou os presentes aos gritos, com frases como 'vocês não sabem o que vai acontecer se não for como eu quero', e fez menções a conversas privadas com ministros.

Em entrevista à coluna na época, Luiz Philippe admitiu ter se exaltado na reunião, justificando que estava 'zelando pela integridade da Corte'.

A crise interna, contudo, pode se agravar significativamente. Ministros agora avaliam apresentar uma interpelação criminal contra Luiz Philippe. A acusação seria de que ele atribui, de forma indevida, aos chamados 'colegas azuis' a defesa de interesses do capital e das empresas. Paralelamente, este grupo já iniciou uma espécie de 'auditoria' minuciosa sobre todos os atos da presidência, indicando uma investigação interna profunda.

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