TRÁFICO INTERNACIONAL

Justiça Federal mantém presos iranianos detidos com 180kg de cocaína em Santos

Dois homens iranianos, Nima Kenareifard e Saeid Sabouri, presos em Santos com 180 kg de cocaína escondida em sacas de café.
Nima Kenareifard (à esq.) e Saeid Sabouri (à dir.) foram presos com 180 kg de cocaína em Santos.

Decisão da Justiça Federal em Santos negou pedido de liberdade para Nima Kenareifard e Saeid Sabouri, presos em maio com 180kg de cocaína. Defesa alega inocência e irá recorrer.

A Justiça Federal de Santos manteve a prisão preventiva de dois cidadãos iranianos, Nima Kenareifard e Saeid Sabouri, detidos em maio pela Polícia Civil com 180 kg de cocaína em um galpão na cidade. A decisão, comunicada nesta quinta-feira, 04/06/2026, considerou que as provas reunidas indicam a participação dos indivíduos em um sofisticado esquema de tráfico internacional de drogas. A defesa dos iranianos informou que apresentará recurso contra a decisão.

A dupla foi presa no imóvel onde Saeid mora, no bairro Vila Mathias, durante uma investigação do 1º Distrito Policial de Santos. Segundo as apurações, o local funcionava sob a fachada de uma empresa de transporte, mas era utilizado para ocultar entorpecentes destinados ao Oriente Médio, especialmente Dubai, em meio a cargas de café.

Saeid Sabouri, 52 anos, declarou atuar no ramo de exportação de café e é investigado como um dos responsáveis pelo esquema. Nima Kenareifard, 25 anos, afirmou ter sido contratado como intérprete pelo compatriota e negou envolvimento nos crimes.

A defesa, representada pelo advogado Musslim Ronaldo Vaz de Oliveira, solicitou a revogação da prisão preventiva ou a substituição por medidas cautelares. O advogado argumentou que os investigados são primários, possuem residência fixa, exercem atividade profissional lícita e não representam risco de fuga, de interferência nas investigações ou de reiteração criminosa.

No entanto, o juiz Roberto Lemos Filho avaliou que os elementos atuais corroboram a possível participação dos investigados no esquema. A manutenção da prisão, segundo a justificativa judicial, é crucial para garantir a ordem pública e mitigar o risco de fuga. O magistrado destacou que as provas "apontam para a participação dos investigados em empreendimento criminoso voltado ao tráfico internacional de drogas, envolvendo significativa quantidade de cocaína e sofisticado mecanismo de ocultação da substância em carga destinada ao exterior".

O advogado Musslim Ronaldo Vaz reiterou que a defesa "segue buscando provar a inocência dos investigados" e confirmou que um recurso será apresentado na próxima semana.

As investigações da Polícia Civil se estenderam por meses, com monitoramento do imóvel na Rua Comendador Martins. A abordagem ocorreu após a identificação de movimentações suspeitas. No local, foram encontrados sacos de ráfia com grãos de café. A inspeção revelou 178 tabletes de cocaína, totalizando aproximadamente 181 kg da droga, além de seis celulares.

A corporação informou que as apurações indicam que a droga seria preparada para envio internacional, o que reforça a atuação do grupo em um possível esquema de tráfico transnacional.

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