JUSTIÇA EM FOCO

Júri da morte de Pollyana é retomado em Natal

Vista externa do Fórum Miguel Seabra Fagundes em Lagoa Nova, Natal, local do julgamento.
Fórum Miguel Seabra Fagundes em Natal, onde o júri é retomado.

Seis pessoas, incluindo a irmã da vítima, respondem por assassinato motivado por herança. Julgamento deve durar dois dias.

A busca por justiça para Pollyana Nataluska Costa de Medeiros, a jovem comerciante de 22 anos brutalmente assassinada, avança com a retomada do júri popular nesta segunda-feira, 27 de abril de 2026, em Natal. A decisão de prosseguir com o julgamento das seis pessoas acusadas de envolvimento no crime, entre elas a irmã e o cunhado da vítima, representa um momento crucial para a família e a sociedade, ansiosas por um desfecho que possa trazer alguma paz após anos de espera. A sessão, presidida pelo juiz Valter Flor, ocorre no Fórum Miguel Seabra Fagundes e tem previsão de conclusão até terça-feira, 28 de abril de 2026, reacendendo a esperança por respostas definitivas.

O processo, que havia sido iniciado em outubro passado, enfrentou um revés quando um dos jurados sofreu um infarto, exigindo a interrupção. Agora, a expectativa é que o rito judicial transcorra sem novas interrupções, permitindo que a verdade seja finalmente estabelecida.

A denúncia do Ministério Público aponta uma motivação chocante: uma disputa por herança familiar estaria na raiz da brutalidade que tirou a vida de Pollyana.

No banco dos réus, além da irmã e do cunhado da vítima, figura um sargento da Polícia Militar, apontado como peça-chave no esquema de mandantes, responsável por articular a contratação dos executores. O grupo de acusados se completa com os dois homens que ocupavam a motocicleta usada no crime — um deles identificado como o atirador fatal — e o proprietário do veículo utilizado na fuga.

Embora tenham sido detidos durante a fase de investigação, todos os réus aguardam o veredito em liberdade, uma situação que muitas vezes gera angústia entre os familiares da vítima.

O caso ganha contornos ainda mais dramáticos ao revelar que Pollyana era filha adotiva dos pais da mulher apontada como mandante. Williane Fernandes, irmã biológica da vítima, já havia denunciado publicamente que a comerciante enfrentava um histórico de ameaças e agressões antes de sua morte, adicionando uma camada de complexidade e dor à tragédia.

O crime

A frieza do crime chocou a comunidade do bairro Nossa Senhora da Apresentação, em Natal. Em 18 de maio de 2021, Pollyana foi assassinada a tiros dentro da loja de parafusos e materiais de construção onde trabalhava. Testemunhas relataram a cena de horror: por volta das 10h30, dois homens em uma motocicleta invadiram o local, ordenaram que os funcionários se retirassem, e levaram Pollyana para os fundos, onde dispararam contra sua nuca antes de fugirem impunes naquele momento.

A Operação Off Road, conduzida com rigor pela Polícia Civil do Rio Grande do Norte, desvendou a trama e levou à identificação dos suspeitos. Após a minuciosa conclusão do inquérito, o Ministério Público do Rio Grande do Norte formalizou a denúncia, conduzindo o caso ao judiciário para que os responsáveis enfrentem as consequências de seus atos.

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