CRÍTICA AO JUDICIÁRIO

Presidente do STJ diz que magistrados "sobrevivem de imagem" em crise

Ministro Herman Benjamin, presidente do STJ, discursando em congresso.
Herman Benjamin, presidente do STJ, durante congresso em Brasília.

Pesquisas indicam desaprovação de 54,3% do STF e 41% do Judiciário. Congresso debate futuro da justiça.

A confiança da população no sistema de Justiça e a própria legitimidade do Judiciário estão em xeque, conforme alertou o ministro Herman Benjamin, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Herman Benjamin afirmou, nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, que a percepção pública sobre a imagem dos magistrados é crucial, destacando que juízes "sobrevivem de imagem". A declaração, feita durante a abertura de um congresso em Brasília, ressoa em um cenário de crescente desaprovação do Poder Judiciário, evidenciado por recentes pesquisas de opinião que apontam o desgaste da credibilidade da justiça e comprometem a fundamental relação entre cidadão e Judiciário na garantia dos direitos.

O alerta do presidente do STJ ocorreu durante a abertura do 2º Congresso STJ da Segunda Instância Federal e Estadual, na capital federal. Suas palavras ganham peso em um contexto no qual o Poder Judiciário enfrenta desafios significativos para manter sua reputação perante a sociedade.

Em maio de 2026, uma pesquisa Futura/Apex, publicada pelo Poder360, revelou que 54,3% da população brasileira reprova a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), o maior patamar registrado desde o início da série histórica em 2012. Os dados sublinham a urgência da discussão sobre a imagem da justiça no Brasil. (A íntegra da pesquisa está disponível em PDF – 3 MB).

Herman Benjamin enfatizou a gravidade da situação ao declarar: "Nós, magistradas e magistrados, sobrevivem de imagem. O nosso alimento, que é o que nos dá legitimidade social, não é, por incrível que pareça, na República, na verdadeira República, a lei nem o conhecimento jurídico. É a imagem que nós temos". O ministro ressaltou que, sem uma imagem sólida, o conhecimento jurídico, a eloquência e o trabalho dedicado dos juízes seriam "em vão".

"Nós não teremos os pés da legitimidade popular que nos permite bater no peito e dizer que somos juízas e juízes da República Federativa do Brasil", completou Herman, sublinhando a conexão intrínseca entre a percepção pública e a capacidade dos magistrados de atuar plenamente.

A preocupação com a imagem do Judiciário é corroborada por outro levantamento do PoderData, realizado entre 31 de maio e 2 de junho de 2025, que indicou que 41% dos entrevistados consideravam o trabalho dos ministros do STF "ruim" ou "péssimo". Outros 30% classificaram o desempenho da Corte como "regular", enquanto apenas 16% o avaliaram como "bom" ou "ótimo".

Antes da fala de Herman Benjamin, Vanessa Ribeiro Matheus, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), também se manifestou a favor de uma maior escuta popular para que o Judiciário possa "recuperar a confiança e corrigir rumos". "Não adianta a gente falar ‘esse problema não é comigo’, esse problema é com todos nós", pontuou Vanessa.

Vanessa Ribeiro Matheus reconheceu o aumento anual de ações ajuizadas, processos e produtividade no sistema judicial, mas destacou a necessidade de aprimorar a prestação de serviços à população, reforçando a importância da percepção pública.

O 2º Congresso STJ da Segunda Instância Federal e Estadual, que serve de palco para esses debates cruciais, acontece em Brasília de segunda-feira (18 de maio) a terça-feira (19 de maio) de 2026. Segundo Herman Benjamin, o evento visa fortalecer a comunicação e a integração entre o STJ e os tribunais de segunda instância, federais e estaduais.

O ministro expressou sua surpresa por ser "inadmissível" que desembargadores nunca tivessem visitado o Superior Tribunal de Justiça para compartilhar críticas, experiências e propostas. Ele também defendeu o papel dos juízes na identificação de falhas legislativas, afirmando que, embora as mudanças sejam atribuições do Poder Legislativo, os magistrados estão em posição privilegiada para apontar lacunas e necessidades de aperfeiçoamento normativo, sempre respeitando a separação dos Poderes.

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