JUSTIÇA

Gilmar Mendes derruba decisão da Justiça do Rio e manda prender Monique Medeiros, mãe de Henry Borel

Gilmar Mendes, ministro do STF
Ministro Gilmar Mendes restabelece prisão de Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, em decisão que reverte soltura do TJ-RJ. (Imagem Ilustrativa)

STF derruba decisão do TJ-RJ que havia concedido liberdade à mãe de Henry Borel em março; magistrado destaca coação de testemunhas.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026, a nova prisão de Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel. A decisão do magistrado reverteu a soltura da acusada, anteriormente concedida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) em março, sob o argumento de que a revogação da prisão preventiva contrariava o entendimento da Corte Suprema e esvaziava a eficácia de deliberações anteriores que haviam restabelecido a medida. A determinação reforça a seriedade do caso e a busca por justiça para Henry Borel, visando garantir a ordem pública e a integridade da instrução criminal diante de indícios de coação de testemunhas.

Segundo o ministro Mendes, a soltura concedida pela Justiça do Rio, que utilizava o argumento de excesso de prazo, desconsiderou o entendimento do STF. Ele enfatizou que a revogação da prisão preventiva "configura nítido esvaziamento da eficácia" das decisões do Supremo, que já haviam restabelecido a custódia da ré.

Em sua deliberação, Gilmar Mendes destacou que a necessidade da prisão preventiva já havia sido reconhecida em julgamentos anteriores. Tal medida se baseava na gravidade dos fatos e em indícios concretos de coação de testemunhas, elementos que justificam a imposição da prisão para assegurar a ordem pública e o bom andamento do processo criminal.

O ministro ressaltou ainda que, "enquanto cumpria prisão domiciliar, a acusada teria coagido importante testemunha (a babá da vítima), de modo a prejudicar a elucidação dos fatos". Este ponto foi crucial para a nova ordem de prisão.

A juíza Elizabeth Machado Louro, do TJ-RJ, havia determinado a soltura de Monique Medeiros em março, concedendo liberdade provisória sob a alegação de que a prisão se "manifesta ilegal diante do despropositado prazo da prisão". O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) recorreu da decisão da magistrada do II Tribunal do Júri da Capital.

O ministro do STF afastou a tese de excesso de prazo, argumentando que o adiamento do julgamento se deu por fatores atribuídos à própria defesa, como o abandono do plenário por advogado de corréu. Para ele, tais circunstâncias não caracterizam constrangimento ilegal que justifique a libertação da ré.

Durante o julgamento no último mês, os advogados de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, decidiram abandonar o plenário do TJ-RJ, forçando a suspensão do processo. Jairinho é acusado de homicídio triplamente qualificado e tortura. Monique, por sua vez, responde por homicídio qualificado por omissão. Ambos são igualmente acusados de coação no curso do processo e fraude processual.

Henry morreu na madrugada de 8 de março de 2021, aos 4 anos de idade, no apartamento onde morava com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. A criança chegou a ser levada a um hospital, mas já estava sem vida.

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