RECURSO NO SUPREMO

Defesa de Jair Bolsonaro usa precedente de Lula para contestar decisão de Moraes

Imagem de Jair Bolsonaro durante entrevista.
O ex-presidente Jair Bolsonaro em entrevista ao Metrópoles.

Advogados pedem a derrubada de restrições impostas a Jair Bolsonaro, citando a comunicação política permitida a Lula durante sua prisão em Curitiba.

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro recorreu ao Supremo Tribunal Federal para solicitar a revisão de restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes. O pedido, formalizado na tarde desta sexta-feira (24/7), busca reverter limitações que proíbem o ex-presidente de receber visitas com fins eleitorais e de divulgar manifestações políticas por intermédio de terceiros.

O argumento central da petição fundamenta-se em um precedente histórico envolvendo Luiz Inácio Lula da Silva. Durante o período em que esteve na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, o atual presidente teve cartas de teor político divulgadas publicamente. Os advogados de Jair Bolsonaro destacam que, na ocasião, um representante legal de Luiz Inácio Silva leu um texto de sua autoria diante de apoiadores, no qual indicava Fernando Haddad como candidato à Presidência, sem que tal ato fosse considerado incompatível com a execução da pena.

A equipe jurídica sustenta que a suspensão dos direitos políticos não confere base legal para restringir o exercício da comunicação política. Embora reconheçam a distinção processual em relação ao trânsito em julgado no caso de Luiz Inácio Silva, os advogados enfatizam que a medida atual de Alexandre de Moraes extrapola as limitações constitucionais vigentes.

Em decisão proferida em 17/7, o ministro Alexandre de Moraes manteve a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, mas aplicou sanções após identificar a divulgação de uma carta por intermédio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As penalidades incluem a suspensão de visitas por 30 dias e a proibição estrita de manifestações de cunho político até o encerramento das eleições de 2026.

O recurso solicita que o próprio ministro reconsidere as restrições impostas. Caso o entendimento seja mantido, a defesa requer que o tema seja submetido à análise dos integrantes da Primeira Turma do STF.

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