JUSTIÇA

CNJ analisa reclamação contra presidente do TST por fala ideológica

Ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho em posse no TST.
O ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho durante cerimônia de posse como presidente do TST, em setembro de 2025.

Partido Novo acusa ministro Mello Filho de afrontar princípios da Magistratura ao dizer "nós, vermelhos, temos causa" e defender limites ao capitalismo.

O Partido Novo formalizou na segunda-feira, 4 de maio de 2026, uma reclamação disciplinar contra o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, junto à Corregedoria Nacional de Justiça do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). A medida veio após declarações do ministro que dividiram os juízes trabalhistas entre "azuis" e "vermelhos", identificando-se com o segundo grupo e afirmando que "nós, vermelhos, temos causa". A contestação levanta sérias dúvidas sobre a imparcialidade do mais alto cargo da Justiça do Trabalho, impactando a confiança da sociedade e de empregadores na administração da justiça e na própria essência do Poder Judiciário.

As polêmicas falas ocorreram na sexta-feira, 1º de maio de 2026, durante o 22º Congresso Nacional das Magistradas e dos Magistrados da Justiça do Trabalho, realizado em Brasília, entre 29 de abril e 2 de maio. Além de categorizar os magistrados, Mello Filho teria declarado que a função do TST é "limitar o capitalismo selvagem e desenfreado", segundo o documento protocolado.

O Partido Novo pede que a reclamação seja admitida e processada, com a consequente instauração de um processo administrativo disciplinar para investigar uma possível infração. O partido ressalta que o CNJ detém a competência para fiscalizar a atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário e para zelar pelo cumprimento dos deveres funcionais dos juízes, atuando como guardião da conduta ética da magistratura.

A sigla argumenta que a postura do ministro é "incompatível com a esperada de um magistrado", e que suas declarações "afrontaram os princípios constitucionais para a Administração Pública e para a Magistratura", além de "violar os deveres da Magistratura estabelecidos na Lei Orgânica da Magistratura Nacional". O questionamento central é como um empregador pode confiar na imparcialidade de um tribunal cujo presidente expressa publicamente tal posicionamento ideológico e uma visão específica sobre o papel da corte.

Em resposta às críticas, Mello Filho afirmou na segunda-feira, 4 de maio de 2026, que "ninguém tem o direito" de acusá-lo de ativismo ou parcialidade. Ele explicou que a declaração foi uma réplica ao ministro Ives Gandra, também do TST, que, em uma palestra, teria cunhado as expressões "azuis e vermelhos" para descrever ministros "liberais e intervencionistas", respectivamente, enquanto ensinava advogados a litigarem na instituição.

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