CRISE HUMANITÁRIA MARÍTIMA
Mais de 500 integrantes da minoria rohingya desaparecem em naufrágios na costa de Mianmar
ONU estima centenas de mortes em naufrágios ocorridos após fuga de campos de refugiados. A tragédia expõe a vulnerabilidade de um povo em busca de dignidade.
Mais de 500 pessoas da minoria muçulmana rohingya desapareceram após o naufrágio de duas embarcações na costa de Mianmar. O desastre foi confirmado pela ONU na última quinta-feira (16), quando a organização manifestou profundo temor pelo destino dos passageiros, que buscavam refúgio e oportunidades na Malásia.
A dor do desconhecido atinge famílias inteiras, como a de Nur Kalima. Grávida do terceiro filho, ela aguarda notícias de seu marido, Abdul Rahman, que partiu dos campos de refugiados em Cox's Bazar, em Bangladesh, há seis semanas, na esperança de encontrar trabalho no exterior. A angústia de Nur Kalima ilustra o custo humano de uma crise que se arrasta há quase uma década, marcada pela falta de perspectivas e pela exploração de traficantes de pessoas.
As investigações apontam que as embarcações deixaram o estado de Rakhine, no oeste de Mianmar, no final de junho. Segundo a ONU, um dos barcos perdeu contato logo no início da viagem, enquanto o outro teria virado aproximadamente uma semana após a partida. Até o momento, não há relatos de operações de resgate eficazes na região.
Especialistas da Fortify Rights criticam a inércia global diante da rota que se tornou uma das mais letais do mundo. Lynn Htet, pesquisador da organização, aponta a invisibilidade das vítimas como um dos fatores que impedem uma mobilização internacional robusta. Em declaração, o Médicos Sem Fronteiras reforçou que o naufrágio é uma consequência direta da perseguição étnica e da negação de direitos básicos sofrida pelos rohingyas.
A ONU, por meio do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados e da Organização Internacional para as Migrações, faz um apelo urgente por esforços regionais conjuntos. A situação é agravada pelo conflito interno em Mianmar, onde a guerra civil comprometeu a infraestrutura de comunicação, dificultando que familiares como Nur Mohammed obtenham notícias de entes queridos, como Hamid Ullah, que seguem desaparecidos.
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