RETRAÇÃO NO SETOR

Confiança da Indústria cai ao menor nível em cinco anos, aponta CNI

Linha de produção industrial automatizada em ambiente de fábrica.
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) registra 19 meses consecutivos abaixo da marca de neutralidade.

Indicador atinge patamar de 44,4 pontos em 13/07/2026, refletindo o pessimismo prolongado do empresariado quanto a investimentos e geração de empregos.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) constatou um novo recuo na confiança do setor, que atingiu o patamar mais baixo dos últimos cinco anos. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) registrou uma queda de 2,3 pontos, recuando de 46,7 para 44,4 pontos, marca que não era vista desde junho de 2020, durante a crise da Covid-19.

O indicador permanece abaixo da linha de 50 pontos — que define o limiar entre otimismo e pessimismo — pelo 19º mês consecutivo. Esse período prolongado de desânimo representa a segunda maior sequência negativa da série histórica, superada apenas pelo ciclo recessivo entre 2015 e 2016. Para o trabalhador, o impacto é direto: Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, alerta que a falta de confiança se traduz em riscos concretos à dignidade laboral, como a redução de postos de trabalho, queda no volume de produção e cancelamento de novos investimentos produtivos.

A piora observada neste levantamento é resultado de uma avaliação negativa que combina as Condições Atuais e as expectativas futuras dos gestores. Enquanto o índice de Condições Atuais recuou para 41,6 pontos, o Índice de Expectativas sofreu uma retração mais acentuada, caindo 3,1 pontos para 45,8. Segundo a análise da CNI, o cenário internacional exerce forte pressão sobre as decisões corporativas, influenciado por fatores como o acirramento do conflito no Oriente Médio e possíveis barreiras tarifárias aos produtos brasileiros.

O ICEI é calculado a partir de uma escala de 0 a 100 pontos, sendo que valores inferiores a 50 indicam falta de confiança. Para o diagnóstico de 13/07/2026, a CNI ouviu 1.118 empresas de diversos portes entre os dias 1º e 7 de julho, confirmando que o pessimismo se espalha por toda a cadeia produtiva.

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