RECORDES NO VAREJO
Remessas internacionais batem recorde de R$ 2,6 bilhões após mudança na tributação
Volume de encomendas saltou para 27,4 milhões em junho, enquanto setores da indústria nacional questionam impacto econômico e motivação política da isenção.
As compras internacionais processadas pelo Programa Remessa Conforme atingiram R$ 2,6 bilhões em junho de 2026, consolidando o maior valor mensal registrado desde a implementação do sistema em 2023. O volume financeiro representa um incremento de quase 37% em comparação a maio, quando as encomendas somaram R$ 1,9 bilhão.
Os dados, extraídos de um levantamento do Valor Econômico com base em registros da Receita Federal, indicam que o recorde ocorreu no 2º mês de vigência da medida provisória que suprimiu o imposto de importação sobre compras de até US$ 50. Em junho, foram contabilizados 27,4 milhões de pacotes, resultando em uma média diária de 910 mil itens e uma alta anual de 116% no volume de entregas.
A mudança foi oficializada pela MP 1.357 de 2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 12 de maio, que zerou a alíquota federal de 20% para encomendas de baixo valor, popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”. A norma passou a vigorar no dia 13 de maio, mantendo, porém, a cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) pelos Estados. Para encomendas entre US$ 50 e US$ 3.000, a alíquota federal de 60% permanece, mas com uma dedução fixa de US$ 30.
O impacto da medida gera divergências profundas. Jorge Gonçalves Filho, presidente do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo), questionou a fundamentação técnica da isenção, relacionando-a a estratégias eleitorais. Em paralelo, a Abvtex (Associação Brasileira do Varejo Têxtil) defende a paridade de condições para produtos nacionais, manifestando preocupação com a manutenção da MP, que aguarda aprovação do Congresso até 24 de setembro para não caducar.
Em contrapartida, a Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia) classificou o crescimento como uma resposta natural do mercado, argumentando que o comércio exterior é fundamental para o acesso ao consumo e a manutenção de empregos na logística. A Receita Federal, por sua vez, pondera que é prematuro afirmar se a tendência de alta se sustentará, ressaltando que 32% dos R$ 13 bilhões movimentados no ano provêm de remessas acima de US$ 50, sujeitas à taxação integral.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário