MERCADO FINANCEIRO EM FOCO

Investidores com 60 anos ou mais crescem 358% na B3 em dez anos

Idoso utilizando celular para gerenciar investimentos financeiros.
O acesso digital facilitou a entrada de investidores seniores na B3.

Acesso digital e busca por renda extra na aposentadoria impulsionam presença de idosos na bolsa de valores brasileira.

O número de investidores com idade igual ou superior a 60 anos registrou um crescimento expressivo na B3 nos últimos dez anos. Dados da própria bolsa de valores revelam que a quantidade de acionistas nessa faixa etária saltou cerca de 358%, atingindo 595 mil pessoas até junho de 2026.

Este avanço reflete a digitalização do mercado financeiro e a busca por alternativas de renda frente ao custo de vida. Em 2016, o total de investidores era de 500 mil, com os idosos representando 130 mil desse montante. Atualmente, com a base de acionistas chegando a 5,6 milhões, este grupo soma 10,4% do total.

Christianne Bariquelli, superintendente de negócios para pessoa física da B3, explica que o movimento é fruto de uma maior usabilidade das plataformas digitais e do amadurecimento financeiro. Segundo a executiva, pessoas com mais idade possuem maior disponibilidade para gerenciar patrimônio após anos de acúmulo, buscando agora formas de influir na sua renda mensal.

Para Carlos Castro, CEO da plataforma SuperRico, a demografia também explica o fenômeno: muitos investidores que tinham 50 anos uma década atrás compõem hoje o grupo dos 60+. Além disso, o especialista aponta que a chamada "inflação da saúde" pressiona o orçamento dos idosos. Enquanto o IPCA acumulou alta de 4,64% em 12 meses, setores como fisioterapia registraram aumentos superiores a 13% segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Diante da necessidade de uma "aposentadoria ativa", o acesso à informação financeira na internet tem sido crucial para que esse público busque na renda variável retornos superiores aos de aplicações tradicionais, como o CDB ou a poupança. Apesar do crescimento, Bariquelli ressalta que o medo da volatilidade ainda é um entrave, mantendo muitos brasileiros em opções de menor risco.

Rafael Pracz, head de Estratégia e Alocação de Ativos da Asset Bank, destaca que, embora jovens tenham ocupado espaço na bolsa devido à facilidade tecnológica, os investidores 60+ detêm cerca de 46% do volume financeiro total aplicado, evidenciando o peso deste perfil na economia brasileira.

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