CUSTOS EM ALTA
Alta no preço do trigo aperta margens de moinhos e padarias no Brasil
Setor enfrenta dificuldades para repassar reajustes aos consumidores enquanto lida com incertezas na safra e na qualidade da matéria-prima
A elevação nos custos do trigo tem pressionado toda a cadeia produtiva, forçando moinhos e padarias a absorverem parte dos reajustes para evitar um impacto direto no bolso do consumidor. O movimento, que ocorre em meio à transição para uma nova safra e à incerteza sobre a qualidade do cereal, reflete um cenário de compressão de margens que desafia a sustentabilidade do setor.
Segundo Paloma Venturelli, presidente do Sinditrigo-PR (Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Paraná) e CEO do Moinho Globo, os moinhos já repassaram, em média, entre 10% e 15% do aumento de custos, mas a necessidade de novos reajustes permanece latente. Em 09/08/2026, a executiva destacou que o período é considerado um dos mais desafiadores das últimas duas décadas, com empresas reduzindo metas de volume para evitar a comercialização sem margem.
A dificuldade de repasse é agravada por incertezas climáticas e logísticas. O Rio Grande do Sul enfrenta desafios devido aos impactos do El Niño, enquanto a área plantada no Brasil apresenta tendência de queda. A qualidade do trigo importado, especialmente da Argentina, adiciona mais um nível de complexidade, dificultando a fixação de contratos entre produtores, cooperativas e moinhos, que aguardam a conclusão da colheita para uma visão mais clara da oferta.
Na ponta final da cadeia, as padarias também tentam equilibrar as contas sem afastar o público. Alex Martins, presidente da Abip (Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria), aponta que, embora o trigo tenha subido entre 12% e 15% este ano, a sensibilidade do consumidor limita a capacidade de reajuste.
O pão francês, item de alta rotatividade, é o mais impactado, com expectativa de reajustes limitados a 4% para evitar perda de clientela. "Se for repassar tudo, a gente perde cliente", afirma Martins. Como a farinha representa até 30% dos custos totais de produção, a falta de um repasse integral compromete a lucratividade das padarias, exigindo uma gestão rigorosa para manter as portas abertas em um mercado cada vez mais sensível aos preços.
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