DIREITOS TRABALHISTAS AFETADOS

Mais de 11 milhões de trabalhadores têm depósitos do FGTS atrasados no Brasil

Arte gráfica exibindo a crescente inadimplência no pagamento do FGTS
Número de empresas que não depositam o FGTS dos empregados no prazo tem aumentado no Brasil. Foto: Reprodução/Jornal Nacional

Dívida das empresas com o fundo chega a R$ 12,6 bilhões; especialistas orientam monitoramento constante para evitar prejuízos em momentos críticos.

O volume de empresas que falham em realizar os depósitos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) dos seus funcionários apresenta uma preocupante tendência de alta em território nacional. O cenário foi agravado até junho, quando 11 milhões de trabalhadores constataram que os repasses devidos por seus empregadores não estavam sendo realizados, gerando uma dívida total que atinge o montante de R$ 12,6 bilhões.

A situação impacta diretamente a segurança financeira dos cidadãos, que muitas vezes só percebem a irregularidade em momentos de vulnerabilidade, como durante uma demissão. Foi o caso do soldador Julio Lima, que descobriu a ausência dos depósitos ao utilizar o aplicativo do FGTS, embora os descontos aparecessem regularmente em seu contracheque. A falta de transparência por parte da empresa, que prometeu regularizar a situação sem sucesso, ilustra o drama vivido por milhões de brasileiros.

O funcionamento do Fundo

O FGTS consiste na obrigação mensal dos empregadores de depositar o equivalente a 8% do salário bruto de cada funcionário. O agravamento da inadimplência é nítido quando comparado a dados anteriores: em setembro do ano passado, o Jornal Nacional apontou que 9,5 milhões de trabalhadores eram afetados por uma dívida de R$ 10 bilhões. O salto para R$ 12,6 bilhões reflete o descumprimento crescente das normas trabalhistas.

Impacto na vida dos trabalhadores

A técnica de enfermagem Grace Kelly de Matos e o técnico de enfermagem Allan Felipe vivenciaram a frustração de serem dispensados após quatro anos de trabalho em uma organização social no Rio de Janeiro sem a devida quitação do fundo. Eles relataram que o valor era descontado de seus salários, mas nunca chegava à conta vinculada na Caixa Econômica. A perda do recurso no momento da rescisão compromete projetos de vida, como a compra da casa própria ou a reserva necessária em casos de doença grave.

Como agir diante da irregularidade

Para trabalhadores que identificarem atrasos, a recomendação é registrar a denúncia no Ministério do Trabalho, seja presencialmente ou por meio do portal oficial. A Auditoria Fiscal do Trabalho tem intensificado a cobrança e, desde março do ano passado, recuperou cerca de R$ 6,2 bilhões para o fundo.

A advogada trabalhista Silvia Correia reforça que a prevenção é o melhor caminho. "O aplicativo do FGTS permite o acompanhamento mensal. Consultar regularmente o extrato evita surpresas desagradáveis no momento da rescisão", orienta.

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