DENGUE: QUAIS VACINAS?

Vacinas contra a dengue: entenda quem pode e quem fica de fora das aplicações

Ilustração de seringa com frasco de vacina ao lado de mosquitos Aedes aegypti.
Vacinas contra a dengue: conheça os tipos disponíveis e suas indicações.

Qdenga, Dengvaxia e Butantan-DV possuem indicações distintas. Saiba os critérios de idade, histórico de infecção e contraindicações para cada imunizante.

A decisão de suspender temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan gerou dúvidas sobre os imunizantes disponíveis no Brasil. Atualmente, três vacinas possuem registro na Anvisa: Qdenga, Butantan-DV e Dengvaxia. Cada uma delas foi estudada em grupos específicos e apresenta critérios próprios de indicação e segurança, com impactos diretos na dignidade e saúde pública.

A investigação de 42 casos de reações graves associados à Butantan-DV pelo Ministério da Saúde reforça a importância de conhecer as particularidades de cada vacina. Especialistas enfatizam que esses imunizantes não são intercambiáveis, e sua aplicação depende de fatores como idade, histórico prévio de infecção pela doença e outras condições de saúde. A seguir, detalhamos quem pode receber cada vacina, quem está fora das recomendações atuais e os motivos científicos por trás dessas restrições.

Qdenga: aprovada para quem já teve ou nunca teve dengue

A Qdenga (TAK-003), da Takeda, foi aprovada pela Anvisa em março de 2023. Este imunizante utiliza vírus vivos atenuados para induzir proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Sua base é o vírus da dengue tipo 2 atenuado, com a incorporação de proteínas dos vírus dos tipos 1, 3 e 4.

Esquema ilustrativo de como funciona a vacina contra a dengue.
Entenda como funciona a vacina contra dengue suspensa pelo Ministério da Saúde

Quem foi estudado

A vacina foi avaliada em estudos com indivíduos de 4 a 59 anos.

Quem recebeu aval da Anvisa

A Anvisa aprovou a aplicação para a mesma faixa etária estudada: de 4 a 59 anos.

Quem pode tomar na prática

A vacina pode ser administrada em pessoas de 4 a 59 anos, independentemente de terem tido dengue anteriormente ou não.

No âmbito do SUS, a vacinação está restrita a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, um grupo considerado prioritário.

Quem ficou de fora dos estudos

Indivíduos com menos de 4 anos e com mais de 59 anos não participaram dos estudos clínicos. Gestantes e pessoas com imunodeficiência severa (incluindo portadores de HIV, pacientes com câncer em quimioterapia e com doenças autoimunes) também foram excluídos.

Quem não deve tomar

  • Pessoas imunossuprimidas;
  • Gestantes;
  • Lactantes;
  • Indivíduos com alergia comprovada a algum componente da fórmula.

Por que há esse recorte

A aprovação pela Anvisa seguiu os limites de idade definidos nos estudos clínicos. A restrição no SUS visa priorizar o grupo de 10 a 14 anos, que apresenta alta taxa de hospitalizações pela doença, após os idosos.

Eficácia

Resultados atualizados do estudo TIDES, divulgados em novembro de 2025, indicam uma eficácia geral de 80,2% contra a dengue após 12 meses da segunda dose. A vacina reduziu hospitalizações em 90%. Em um acompanhamento de sete anos, observou-se uma diminuição de 84% no risco de hospitalização e de 61% nos casos sintomáticos.

Dengvaxia: indicada apenas para quem já teve dengue

A Dengvaxia, da Sanofi, foi a pioneira em obter registro na Anvisa e permaneceu como a única opção até a chegada da Qdenga em 2023. Sua estrutura utiliza o vírus da febre amarela como base, incorporando componentes dos quatro sorotipos da dengue.

Quem foi estudado

O imunizante foi testado em pessoas de 9 a 45 anos.

Quem recebeu aval da Anvisa

A aprovação destina-se a indivíduos de 9 a 45 anos que já contraíram dengue anteriormente.

Quem pode tomar na prática

Disponível na rede privada, a vacina só pode ser administrada em quem comprovar infecção prévia por meio de teste laboratorial ou sorológico.

Quem ficou de fora dos estudos

Pessoas com menos de 9 anos e acima de 45 anos não foram incluídas nos estudos.

Quem não deve tomar

  • Pessoas que nunca tiveram dengue ou não conseguem comprovar infecção anterior;
  • Indivíduos com hipersensibilidade aos componentes da vacina ou com histórico de reação alérgica grave a doses anteriores;
  • Pessoas com imunodeficiência congênita ou adquirida, incluindo aquelas em tratamento com medicamentos imunossupressores;
  • Gestantes;
  • Lactantes.

Por que há esse recorte

Estudos da Sanofi demonstraram que indivíduos sem infecção prévia, ao serem vacinados, apresentaram maior risco de desenvolver formas graves da doença após uma infecção natural. Por essa razão, a Anvisa e a OMS recomendam a vacina apenas para quem já teve dengue.

Eficácia

A fabricante informa que a vacina previne cerca de oito em cada dez casos graves ou que necessitam de hospitalização.

Butantan-DV: a primeira vacina brasileira contra a dengue

A Butantan-DV é a primeira vacina 100% brasileira contra a dengue e a primeira do mundo aplicada em dose única. O imunizante foi desenvolvido para proteger contra os quatro sorotipos do vírus e oferece proteção por pelo menos cinco anos. A vacina baseia-se na atenuação dos vírus da dengue tipos 1, 3 e 4, com a inserção de componentes do tipo 2 em uma estrutura baseada no vírus tipo 4. Embora desenvolvida e liofilizada no Brasil, com estudos de fase 3 realizados no país, possui um componente inicial originário do National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos.

Quem foi estudado

A vacina foi testada em aproximadamente 16 mil pessoas, de 2 a 59 anos, em 17 centros de pesquisa no Brasil.

Quem recebeu aval da Anvisa

A Anvisa concedeu o registro para uso em pessoas de 12 a 59 anos.

Quem pode tomar na prática

A vacina é indicada para pessoas que já tiveram dengue e também para aquelas sem infecção prévia. A imunização iniciou em janeiro deste ano, com doses aplicadas em profissionais de saúde e em moradores de municípios de São Paulo, Ceará, Minas Gerais e Tocantins, sem relatos de eventos adversos graves nessas localidades.

Quem ficou de fora dos estudos

Indivíduos com menos de 2 anos e com mais de 59 anos não participaram dos estudos.

Quem não deve tomar

  • Crianças menores de 12 anos;
  • Adultos com 60 anos ou mais;
  • Pessoas com imunossupressão causada por doença ou pelo uso de medicamentos imunossupressores (conforme bula);
  • Pessoas com histórico de reação alérgica grave a componentes da vacina;
  • Gestantes;
  • Lactantes.

Por que há esse recorte

A Anvisa aprovou o uso apenas para a faixa de 12 a 59 anos, pois a eficácia observada foi maior nesse grupo. Além disso, por ser um vírus vivo atenuado, há preocupações de segurança para indivíduos com sistema imunológico comprometido.

Eficácia

Após cinco anos de acompanhamento, a eficácia geral foi de 65% contra dengue sintomática confirmada por exame laboratorial. A proteção contra dengue grave ou com sinais de alarme alcançou 80,5%. Entre vacinados previamente expostos ao vírus, a eficácia foi de 77,1%, e entre os não expostos, de 58,9%.

Por que a Butantan-DV foi suspensa?

O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacina contra a dengue do Butantan em 8 de junho de 2026, após o registro de 42 casos de reações severas. Até 30 de maio de 2026, cerca de 500 mil doses haviam sido aplicadas, com 3.703 notificações de eventos adversos (0,7% do total). Desses, 42 foram classificados como graves, incluindo dois óbitos. O ministério ainda investiga a causalidade entre a vacina e os óbitos.

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