ALERTA DE SEGURANÇA
Riscos à saúde impulsionam busca ilegal por medicamentos de emagrecimento no Brasil
Estudo aponta aumento no interesse por produtos não autorizados pela Anvisa e revela o papel decisivo dos algoritmos na disseminação de riscos ao consumidor.
O consumo de substâncias não aprovadas para emagrecimento cresceu de forma preocupante no Brasil, alimentado pelo interesse em tratamentos eficazes, mas colocando em xeque a integridade física de pacientes. A expansão desse mercado clandestino, que ignora as normas de segurança da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foi detalhada no estudo "Saúde em risco na era digital: desinformação, automedicação e busca por canetas emagrecedoras não autorizadas no Brasil".
A investigação, que analisou o comportamento de busca entre maio de 2025 e maio de 2026, revela que produtos como T.G., Tirzec, Lipoless, Lipoland e Retatrutida passaram a atrair a atenção do público em larga escala. Sem o crivo do órgão regulador, não há garantia de que o conteúdo dos frascos corresponda aos rótulos, nem que possuam os padrões de qualidade e segurança necessários para o uso humano.
Expansão acelerada e disparidades regionais
Os dados do Google Trends mostram que, após um período de estabilidade, o interesse por esses medicamentos cresceu continuamente entre junho de 2025 e janeiro de 2026, com uma taxa média de 6,29% ao mês. O fenômeno reflete a influência direta das redes sociais e mecanismos de busca na formação da opinião pública e na disseminação de desinformação.
O impacto é desigual pelo território nacional. Mato Grosso do Sul lidera o volume proporcional de buscas, com 88,9 pesquisas por milhão de habitantes, seguido por Mato Grosso, Distrito Federal, Alagoas e Acre. Esse cenário coincide com os dados da Polícia Federal, que identifica Mato Grosso do Sul como ponto estratégico de entrada desses produtos, concentrando aproximadamente 60% das apreensões no Brasil.
O perigo do mercado clandestino
A gravidade da situação se traduz em números: as apreensões pela Receita Federal saltaram de 2,7 mil unidades em 2024 para 32 mil em 2025, totalizando R$ 51 milhões em mercadorias irregulares desde o início do período. O risco é real e imediato, com relatos internacionais de pancreatite e mortes associadas a produtos similares aos comercializados ilegalmente, que frequentemente carecem do princípio ativo correto ou contêm impurezas perigosas.
A pesquisadora Claudia Pereira Galhardi, do Núcleo de Estudos em Comunicação, História e Saúde, destaca que as pistas digitais coletadas podem servir como um sistema complementar de vigilância. Compreender como os algoritmos impulsionam o consumo desses itens é urgente para a saúde pública, especialmente após a constatação de que plataformas como o Instagram ainda facilitam o acesso a anúncios de substâncias que a Eli Lilly e a Anvisa apontam como falsificadas ou sem registro.
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