AGROTECNOLOGIA INOVADORA

USP desenvolve sensores biodegradáveis para detectar pesticidas em 3 minutos

Foto de frutas com sensores biodegradáveis aplicados em suas cascas.
Sensores biodegradáveis da USP podem monitorar a saúde de plantas em tempo real e detectar a presença de pesticidas.

Dispositivos impressos em bioplástico detectam agrotóxicos e monitoram saúde de plantas. Tecnologia é uma alternativa mais barata e sustentável aos sensores atuais.

{"blocks":[{"key":"a2b1c","text":"Cientistas da USP (Universidade de São Paulo) desenvolveram sensores biodegradáveis capazes de monitorar a saúde de plantas em tempo real e detectar a presença de pesticidas em apenas 3 minutos e 28 segundos. A inovação, publicada em fevereiro na revista científica Biosensors and Bioelectronics: X, utiliza uma tinta de carbono impressa em bioplásticos transparentes e flexíveis, permitindo que os dispositivos sejam fixados diretamente em folhas, caules e cascas. Essa tecnologia promete revolucionar o monitoramento agrícola ao oferecer uma solução não destrutiva, rápida e descentralizada.","type":"paragraph"},{"key":"1d3e4","text":"Os sensores miniaturizados podem medir diversos parâmetros cruciais para o desenvolvimento das plantas, incluindo temperatura, umidade, desidratação, biomarcadores de doenças e níveis de nutrientes. Além disso, são eficazes na identificação de três classes de pesticidas: diquat, carbendazim e difenilamina. "Um dos grandes diferenciais é a detecção não destrutiva, rápida, in loco e descentralizada, fornecendo bioinformação em tempo real sobre o estado de saúde da planta e fatores ambientais", explica Paulo Augusto Raymundo-Pereira, professor do IFSC-USP (Instituto de Física de São Carlos) e um dos líderes do projeto.","type":"paragraph"},{"key":"5f6g7","text":"A engenharia de sensores vestíveis foi reconhecida pelo Fórum Econômico Mundial como uma das dez principais tecnologias emergentes de 2023, com potencial para otimizar a saúde das plantas e a produtividade agrícola. No entanto, muitos sensores existentes são fabricados com polímeros plásticos derivados do petróleo e possuem dificuldade de aderência em superfícies vegetais irregulares.","type":"paragraph"},{"key":"8h9i0","text":"Em contraste, os novos sensores da USP são feitos de acetato de celulose, um material flexível de origem vegetal obtido a partir de resíduos agrícolas. "A celulose é o polissacarídeo natural mais abundante na Terra. Apresenta biocompatibilidade excepcional, alta estabilidade térmica e flexibilidade. É atóxico, econômico, acessível, biodegradável, leve e fácil de manusear", detalha Raymundo-Pereira. Cada dispositivo tem um custo de produção estimado em US$ 0,077, o que o torna uma opção acessível para uso único, conforme a necessidade.","type":"paragraph"},{"key":"j1k2l","text":"A medição ocorre na interface do eletrodo com uma pequena gota d’água aplicada sobre a superfície da planta, garantindo a condutividade necessária para a análise. A plataforma do sensor vestível é integrada a um potenciostato portátil sem fio, que envia os dados em tempo real para um celular via Bluetooth. Essa abordagem permite uma avaliação ágil e precisa.","type":"paragraph"},{"key":"m3n4o","text":"A equipe da USP já havia desenvolvido, em 2022, uma luva com sensores para fins semelhantes. O novo sensor vestível, no entanto, oferece vantagens significativas: além de ser totalmente biodegradável, adquire o formato da superfície vegetal, garantindo melhor aderência. Segundo Raymundo-Pereira, os sensores utilizados podem ser queimados em condições específicas para a recuperação da tinta de carbono, permitindo a confecção de novos dispositivos e fomentando a economia circular.","type":"paragraph"},{"key":"p5q6r","text":"A Fapesp apoiou o desenvolvimento da tecnologia por meio de bolsas de pós-doutorado e auxílios à pesquisa. A adaptação para uso agrícola surgiu após um estágio de Raymundo-Pereira no Centro de Sensores Vestíveis da Universidade da Califórnia, em San Diego, com o professor Joseph Wang. "Já que boa parte do PIB [Produto Interno Bruto] brasileiro se concentra no setor agrícola, eu pensei: por que não adaptar a tecnologia? Lá fora, o uso é direcionado para humanos. Aplica-se na pele para saber, por exemplo, o que há no suor das pessoas. É possível detectar ácido lático, ácido úrico, glicose, cortisol, íons sódio, íons potássio, íons cloreto, hormônios e medicamentos. Mas esses sensores usados em humanos são feitos de plástico de origem petroquímica. Os primeiros biodegradáveis, de origem natural, são os nossos, que também podem ser adaptados para uso em humanos.", afirma o cientista.","type":"paragraph"},{"key":"s7t8u","text":"Os pedidos de patente para a luva e o sensor vestível já foram submetidos ao Inpi (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). A pesquisa contou com a colaboração de Samiris Teixeira, Nilda de F.F. Soares e Taíla de Oliveira, da Universidade Federal de Viçosa. Esta notícia foi originalmente publicada pela Agência SP em 13 de junho de 2026.","type":"paragraph"}],"orientation":"ltr"}

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