TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO
IA ganha espaço nas salas de aula brasileiras sob olhar de especialistas
Pesquisa aponta que oito em cada dez escolas já discutem impactos digitais, enquanto gestão escolar busca equilibrar inovação e proteção de dados.
O uso de inteligência artificial em escolas brasileiras entrou no foco de uma investigação científica que busca compreender como ferramentas tecnológicas transformam o dia a dia de estudantes e docentes. O mapeamento busca identificar lacunas regulatórias que ainda impedem a plena segurança e eficácia das novas tecnologias no ambiente educacional.
Dentro das escolas brasileiras, pesquisadores mediram o impacto da inteligência artificial na vida de alunos e professores. A iniciativa reflete a necessidade urgente de letramento digital, algo que instituições como a rede de ensino de André Gusman de Oliveira tem priorizado ao treinar docentes para lidar com a precisão e as limitações dos algoritmos.
Um levantamento realizado pelo Cetic.br, centro reconhecido pela Unesco e ligado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil, revela uma mudança de comportamento nas instituições. Oito em cada dez escolas brasileiras já debatem os efeitos das telas na saúde mental, registrando um salto nos índices de preocupação ao longo de 2025.
O estudo trouxe dados inéditos sobre a adoção da IA generativa: 53% dos gestores utilizam a tecnologia para tarefas como tradução e revisão de conteúdos, enquanto 40% das escolas já autorizam o uso dessas ferramentas nas atividades escolares. No entanto, o cenário enfrenta obstáculos, como a baixa participação das famílias — apontada por 75% dos gestores — e a carência de infraestrutura adequada, incluindo computadores e internet de qualidade, em 64% dos locais.
Para Daniela Costa, coordenadora da Pesquisa TIC Educação, a disparidade entre a velocidade da inovação e o preparo institucional é o principal desafio. "A grande questão é implementar políticas que permitam a avaliação de riscos antes que as tecnologias cheguem às escolas, às crianças e aos adolescentes", pontua.
Em uma escola pública do Rio, a prática já integra noções de cidadania digital. O professor Eduardo Castro conduz debates sobre o ECA Digital e a Lei Geral de Proteção de Dados, orientando alunos como Agatha, de 9 anos, e João Gabriel, de 10 anos, sobre os riscos de expor o CPF e informações privadas em plataformas digitais. O foco pedagógico é claro: incentivar o pensamento crítico frente à facilidade das máquinas.
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