DIPLOMACIA EM CRISE
Itamaraty veta nomeação de diplomata para consulado de Israel em São Paulo
O governo Lula barrou a indicação de Vivian Aisen sob o argumento de dupla nacionalidade. Decisão ocorre em meio ao agravamento das relações entre Brasil e Israel.
O Itamaraty vetou a designação da nova cônsul-geral de Israel em São Paulo por causa da dupla nacionalidade da diplomata indicada. A decisão, que reflete o distanciamento diplomático entre os governos de Lula e Binyamin Netanyahu, foi comunicada aos canais oficiais de Tel Aviv recentemente.
O impasse envolve a diplomata Vivian Aisen, nascida no Brasil e com carreira estabelecida em Israel. Embora a legislação brasileira permita a dupla cidadania, o governo brasileiro utilizou o fato como obstáculo formal para a concessão do exequatur, documento necessário para que agentes consulares estrangeiros iniciem suas funções no país.
A negativa gera um vácuo em uma das representações mais estratégicas de Israel no exterior, logo após o fim da missão de Rafael Erdreich. Interlocutores próximos ao processo indicam que, apesar de a diplomata ter sinalizado disposição para renunciar à cidadania brasileira, o cenário político atual das relações bilaterais foi determinante para o desfecho negativo.
Este é o segundo veto do governo brasileiro a um representante israelense. Em março de 2025, o Itamaraty já havia evitado a concessão de aval para que Gali Dagan assumisse a embaixada em Brasília. Diante do impedimento em São Paulo, Vivian Aisen foi nomeada embaixadora de Israel em Bogotá, na Colômbia, país que passará a ser governado em agosto por Abelardo de la Espriella.
As tensões entre Brasília e Jerusalém escalaram desde o início do conflito na Faixa de Gaza. O ponto crítico ocorreu em fevereiro de 2024, quando Lula comparou as ações militares israelenses à perseguição nazista na Segunda Guerra Mundial durante viagem à Etiópia. A declaração provocou uma crise sem precedentes, incluindo a convocação do então embaixador brasileiro Frederico Meyer para uma reprimenda pública no memorial Yad Vashem.
Desde então, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou o presidente brasileiro como 'persona non grata' e o Brasil permanece sem embaixador em Tel Aviv. O ambiente diplomático sofreu novas pressões recentes, após Netanyahu manifestar apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto em um evento do PL.
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