VETO EUROPEU

União Europeia impõe veto à carne do Brasil

União Europeia veta importações de carne e produtos de origem animal do Brasil
A decisão da União Europeia de vetar a carne brasileira agita o mercado internacional, gerando incertezas para o agronegócio.

Restrição entra em vigor em 3 de setembro; governo tenta reverter decisão da UE sobre antimicrobianos.

A União Europeia (UE) decidiu barrar a importação de carne e outros produtos de origem animal do Brasil, com a medida entrando em vigor a partir de 3 de setembro. Anunciada em 12 de maio de 2026, a restrição surge da alegação de que o país não apresentou garantias suficientes sobre o controle de antimicrobianos na pecuária, um tema que gerou forte preocupação no setor agropecuário nacional. A decisão ameaça impactar significativamente a economia brasileira e a subsistência de milhares de trabalhadores, especialmente no setor de carne bovina, o que levou o vice-presidente Geraldo Alckmin a defender o rigor sanitário brasileiro nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026.

Durante o 4º Congresso da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), em Brasília, Geraldo Alckmin defendeu veementemente os padrões sanitários do Brasil. O vice-presidente expressou confiança de que o embargo imposto pela UE, relacionado a exigências sobre o uso de antimicrobianos na produção animal, será "equacionado" através de diálogo diplomático.

Alckmin traçou um paralelo com as recentes tensões comerciais com os Estados Unidos, mencionando o "tarifaço" e a investigação da "seção 301", que, segundo ele, estão sendo bem encaminhadas. "Nesses 30 dias agora, vão ter reuniões importantes entre os representantes do Brasil e dos EUA", afirmou, sinalizando uma abordagem semelhante para o impasse com a União Europeia.

A tensão se intensifica no contexto do acordo Mercosul-UE, considerado pelo vice-presidente como o maior pacto entre blocos do mundo, abrangendo um mercado de US$ 22 trilhões. Alckmin reconheceu a resistência europeia, principalmente ligada às preocupações com o setor agropecuário. Contudo, ele enfatizou que o acordo está "bem formatado" com salvaguardas recíprocas.

O vice-presidente citou o ministro André de Paula, que ressaltou a posição do Brasil como "exemplo para o mundo de cuidado sanitário, tanto em proteína animal, como proteína vegetal". Essa perspectiva reforça a surpresa do governo brasileiro com a medida europeia.

A União Europeia publicou uma atualização em sua lista de países autorizados a exportar carne e outros produtos de origem animal para a Europa a partir de 3 de setembro, excluindo o Brasil. A justificativa europeia aponta para a ausência de garantias consideradas suficientes sobre o controle de substâncias utilizadas na criação animal, especificamente o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, permanecem na lista de autorizados.

Antimicrobianos são substâncias cruciais para tratar e prevenir infecções em animais, com alguns também atuando como promotores de crescimento. No entanto, o Brasil reafirma que suas normas públicas já proíbem as substâncias questionadas pela UE, sustentando que seus padrões são reconhecidos internacionalmente.

Diante do cenário, o governo brasileiro expressou "surpresa" e anunciou sua intenção de buscar soluções diplomáticas urgentes para reverter o embargo antes que as restrições entrem em vigor em 3 de setembro. Embora a medida afete produtos variados, como carne de frango, ovos, mel e pescados, a maior preocupação recai sobre a carne bovina, um dos itens de maior valor agregado nas exportações brasileiras.

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