DIPLOMACIA E COMÉRCIO

Lula avalia conversa com Trump como positiva e cita novos frutos nas relações entre Brasil e EUA

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva gesticulando durante entrevista.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista à emissora Record.

Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter alertado Donald Trump sobre a fragilidade dos argumentos das tarifas e confirmou o início de tratativas bilaterais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliou como positiva a recente comunicação direta com o chefe de Estado dos Estados Unidos, Donald Trump. A conversa, realizada no domingo (23/08), marca uma tentativa de distensionar as relações comerciais entre as duas nações e reabrir canais de diálogo diplomático.

Segundo o mandatário brasileiro, o contato já apresenta resultados concretos. Em decorrência do diálogo, o representante do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), James Graer, estabeleceu contato com o ministro Márcio Elias Rosa, do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), logo na sexta-feira (21/08). O objetivo da interlocução é organizar uma reunião de cúpula para revisar as tensões econômicas vigentes.

Durante entrevista à Record, Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou que o intercâmbio foi pautado pelo respeito mútuo. O petista relatou ter confrontado o governo Republicano sobre a fundamentação das taxas impostas aos produtos brasileiros, classificando as justificativas de Washington como infundadas. “Disse para ele [Trump] que estamos dispostos a trabalhar em conjunto na exploração de terras raras. Mas, dessa vez, não seremos exportadores de matérias-primas, queremos transformar aqui dentro, para produzir celulares e baterias”, afirmou.

O cenário de crise teve início em julho, quando os Estados Unidos oficializaram sobretaxas de 25% e 12,5% sobre o Brasil, alegando preocupações com desmatamento, propriedade intelectual, o sistema Pix e etanol. O Palácio do Planalto contesta as medidas sob o argumento de que as tarifas penalizam a economia dos dois países.

Enquanto o governo brasileiro acionou a Lei de Reciprocidade para responder aos novos encargos, a estratégia atual busca manter as portas da diplomacia abertas. Além dos temas aduaneiros, a agenda entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump incluiu o combate ao crime organizado e a busca por soluções para os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.

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